home

search

Chapter 30 — I Hate Him (Part 2)

  O castelo parecia exalar a mesma arrogancia de sempre: tape?arias que n?o ousavam se mover, tochas que tremeluziam em silêncio e passos apressados ??ecoando como pequenas frases. Souta se movia por tudo aquilo como um rumor que ninguém levava a sério — seu rosto habitualmente exibia um sorriso torto, a colher no cinto como se carregasse um segredo bobo.

  Rebaixado a zelador, ele era alvo de olhares mais pesados ??que a?o. Guardas que mal escondiam sua avers?o, cozinheiros que faziam piadas sem gra?a quando ele passava, criados que o empurravam sob o pretexto de estar "ocupado". Ele n?o tinha título, nem relíquia; tinha apenas o que chamavam de utensílio inútil — uma colher cujo brilho pertencia às histórias, n?o à glória.

  E, no entanto, ele sorria.

  Sorria enquanto dobrava roupas, enquanto varria a poeira, quando alguém o chamava de "zang?o inútil". Sorria quando a ansiedade o consumia e quando a noite o deixava sozinho com pensamentos agu?ados. O sorriso era uma máscara básica e teimosa. E era isso que mais irritava Stingara.

  — Patético — murmurou ela uma vez, sem levantar os olhos da ta?a que segurava. O desprezo era uma ruga natural em seu rosto, uma arma habitual.

  *Fui eu quem pediu à M?e para colocá-lo como faxineiro.*

  *E ele aceita. Submisso, obediente.*

  *Aquele sorriso… irrita.*

  Na manh? seguinte, rumores cortavam o castelo como facas embebidas em chá: palavras leves, venenosas.

  — Kihara Souta foi atacado por goblins na ala oeste. Gravemente ferido.

  — Gabriel cuidou da situa??o.

  — Claro, Gabriel é bonito, forte — uma risadinha rosada.

  Stingara ouviu os sussurros ao longe; o som cruzou o ar frio do corredor e cravou algo duro em seu peito. O pensamento a atingiu t?o rápido quanto um trov?o:

  — *Souta… machucada?*

  Era absurdo. Ela mesma achava impossível entender por que seu est?mago se contraía. *Ele é fraco. Apanhou como qualquer outro.* E, no entanto, havia um desconforto que n?o se silenciava.

  Quando o viram, Souta n?o estava pálido nem melodramáticamente derrotado como alguns poderiam esperar. Estava ensanguentado em alguns lugares, sim, com as roupas rasgadas em um punho, mas ainda assim soltava piadas abafadas enquanto os curandeiros trabalhavam. Aquele riso — nem alegre nem amargo — era uma provoca??o que queimava Stingara por dentro.

  *Por que ele n?o se abre? Por que fingir ser forte?*

  This tale has been unlawfully lifted from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere.

  *Aquele sorriso idiota... me lembra o Sousa.*

  A decis?o veio como uma ordem, curta e sem hesita??o:

  — Guardas, tragam Souta para meus aposentos. Agora.

  Os soldados trocaram olhares — a voz da princesa era cortante e aqueles que a conheciam entendiam o terror contido nela. "S-sim, milady..." foi tudo o que conseguiram dizer.

  Enquanto o conduziam, lábios sussurravam: "Coitadinho", "A Srta. Stingara é rigorosa", "Espero que ela n?o vá longe demais". Palavras que tentavam esconder o medo com pena.

  O encontro foi um desastre previsto. Stingara entrou com passos medidos e postura imaculada; Souta entrou, sorrindo para disfar?ar o que ardia. Meliora surgiu como uma muralha — n?o um ataque, mas uma prote??o — e quando a faísca entre as irm?s se acendeu, Stingara perdeu o controle.

  A luta n?o durou muito. Meliora impediu Stingara de esmagar Souta com a autoridade bruta de sempre; a princesa recuou, ofegante, derrotada n?o pela for?a, mas por uma m?o erguida para proteger o que pretendia destruir. A humilha??o tem um gosto, e Stingara sentiu-o amargo na boca.

  O sal?o ainda continha o denso aroma de magia: oz?nio, ervas queimadas e um leve resíduo metálico no ar. Quando a cura terminou, o corpo de Stingara doía — pernas trêmulas, bra?os pesados ??como correntes. Ela tentou se levantar; seu corpo n?o respondia como seu orgulho exigia.

  — N?o se esforce — a voz calma de Elizabeth Gregorie cortou o barulho como um sino. A conselheira se aproximou com passos firmes. — A magia de cura deixa dores residuais. Dê um tempo.

  Stingara mordeu o lábio. O pensamento a perfurou como a?o frio: *Eu perdi?* Era impossível admitir, até para si mesma.

  Elizabeth voltou os olhos para Roger, o chefe da guarda, parado ali perto, pálido e suado. A reprimenda foi seca:

  — Seu idiota. Seu dever n?o era proteger a princesa? Como chegou a esse ponto?

  Roger engoliu em seco, procurando as palavras que n?o tinha. "A Srta. Stingara pediu privacidade, eu n?o esperava que brigassem pelo drone sem título", tentou dizer, e a desculpa soou fina como papel.

  O silêncio que se instalou foi pesado: olhares como facas, murmúrios abafados, uma risada baixa que deveria ter ficado no escuro. Todos olharam para Stingara. Um rubor subiu ao seu rosto — n?o apenas vergonha, mas raiva que a envernizava e pulsava.

  Ela, que sempre dominava os espa?os com uma sobrancelha erguida e um pouco de sarcasmo, levantou-se apenas o suficiente para gritar:

  — Eu n?o lutei por causa dele!

  A frase ecoou, mas atingiu paredes de descren?a. As patrulheiras desviaram o olhar; algumas com um leve sorriso de escárnio. Elizabeth cruzou os bra?os, esperando.

  Stingara sentiu o cora??o acelerar. Pensamentos se emaranharam: *Por que eles interpretam tudo como fraqueza? Por que eles acham que tudo o que eu fa?o tem segundas inten??es?* Seus punhos se cerraram, as unhas cravando-se nas palmas das m?os.

  *Eu n?o lutei por causa dele…* ela tentou repetir para si mesma, como se repetir pudesse tornar aquilo realidade. Mas, no silêncio, a dúvida crescia, rastejante e venenosa. A humilha??o aquecia sua pele mais do que qualquer ferida cicatrizada.

  Ela permaneceu ali, com a respira??o ofegante e as costelas queimando, percebendo que a derrota daquela manh? n?o fora apenas física. Fora pública. Simbólica. E aquilo doeu mais do que qualquer corte de goblin jamais poderia ter doído.

  ?? [Read it on Royal Road]()

Recommended Popular Novels