Em algum lugar do reino de Termia, a vila de Toss fervilhava de movimento.
Caravanas de mercadores cruzavam as ruas estreitas, mulheres negociavam em voz alta, crian?as corriam entre casas de madeira polida que refletiam a luz do sol. O aroma de frutas maduras e p?o fresco se misturava com a poeira da estrada.
Em meio à multid?o, uma pequena figura encapuzada moveu-se rapidamente.
Ela esbarrou em um vendedor de frutas, derrubando algumas ma??s no ch?o.
— *Olha por onde anda!* — resmungou o homem, pegando a fruta. — *Malditos pirralhos, sempre tentando roubar. Já tenho que aturar esses nobres, e agora vocês!*
A figura tremia, mordendo os lábios. O vendedor tentou agarrá-la pelo bra?o.
Antes que pudesse, um jovem encapuzado apareceu, com um sorriso gentil no rosto.
— *Desculpe, senhor.* — Sua voz era leve, quase despreocupada. — *Minha filha tem o hábito de correr sem olhar. Ela tem problemas de vis?o. Aqui…*
Ele colocou algumas moedas na m?o do comerciante. O homem ficou boquiaberto com a quantia.
— *T-tanto dinheiro… Tudo bem, vou deixar passar.*
O jovem prosseguiu seu caminho sem revelar sua identidade. Ele era o Herói do Chocalho.
A pequena figura ao seu lado, Lily, murmurou friamente:
— *Se você n?o tivesse aparecido, eu o teria matado.*
O Herói do Chocalho apenas sorriu.
— *Tenha paciência, Srta. Lily. N?o podemos estragar o disfarce.*
Enquanto isso, em uma taverna próxima, o Herói do Escudo observava das sombras.
— *Você a encontrou?* — perguntou em voz baixa.
— *Sim* — confirmou o Chocalho.
O Escudo permaneceu encapuzado, com a voz firme:
— *Segurem-na. Ela está muito impaciente. Precisamos eliminar nosso alvo o mais rápido possível.*
No alto de um prédio, a Heroína da Pistola ajustava a mira.
Sua pele escura brilhava sob o sol, os olhos verdes fixos no alvo. Mechas de dreadlocks azul-escuros escaparam do capuz, balan?ando ao vento.
— Você discute demais — murmurou ela. — O alvo está na minha mira. Ele parece confuso, perdido... mesmo assim, devo atirar?
O Escudo confirmou:
— *Executar.*
Bang.
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O tiro ecoou pela aldeia.
A cabe?a do mercador explodiu em sangue e fragmentos, espalhando frutas pelo ch?o.
A multid?o entrou em panico, gritos cortaram o ar e os heróis desapareceram nas sombras.
O Rattle perguntou, tenso:
— *Por que matamos o alvo? Ele teria nos levado ao General Celestial que estamos procurando.*
O Escudo, escondido atrás de uma parede, respondeu friamente:
— *Aquele homem era inútil. Suas memórias foram apagadas. O General Celestial já passou por aqui. Nosso verdadeiro alvo escapou. Vamos nos reagrupar.*
Mais tarde, na vila de Armoura, depois de sair de uma boutique:
Meliora usava um vestido branco simples com detalhes florais roxos. Ela ainda estava irritada e envergonhada pelo que havia acontecido.
Pikonota usava um quimono preto e azul-claro, com um sorriso irritantemente satisfeito.
Souta, com um sorriso amargo, pensou: *O sorriso protetor n?o funciona mais.*
Estavam todos sentados na carro?a de um mercador. O clima era pesado.
Souta tentou quebrar o silêncio:
— Princesa, eu...
— *N?o fale comigo.* — Meliora o interrompeu, sem olhar em seus olhos.
As palavras atingiram Souta como laminas.
— *Ah, princesa, n?o seja assim. Eu já me desculpei... Ent?o por que estamos voltando para a capital?*
— *N?o vamos voltar.* — Sua voz era firme. — *Vocês s?o os que me seguiram.*
Souta suspirou, frustrado: *T?o mimada… mas é t?o fofo ver que ela ainda é só uma menina.*
— *Princesa, pensei que você estivesse animada com a viagem.*
Ela fez beicinho, desviando o olhar:
— *N?o quero mais. Se quiser me impedir, terá que me obrigar.*
— Você sabe que eu nunca faria isso. Eu nunca te machucaria. — Souta tentou se justificar. — Até quando você vai ficar assim?
— *Por que reclamar? Estou te deixando livre.* — Meliora cruzou os bra?os, fria.
Souta esfregou o rosto, irritado.
— *Aaahhh… que saco. Pior ainda é que, por algum motivo, eu realmente me sinto culpado.*
Naquele instante, Pikonota se aproximou de Souta.
Ela sussurrou em seu ouvido, com uma voz íntima e sedutora:
— Sr. Spoon, parece que ela está realmente zangada. Ela n?o lhe dará ouvidos. Eu, no entanto, o seguirei aonde quer que vá. Mas a princesa já fez sua escolha. Ela n?o quer ficar.
Seu sorriso se alargou, gélido.
— *Minha proposta ainda está de pé: torne-se um General Celestial. Você pode trazer a senhorita Meliora como moeda de troca… um sacrifício. Meu Senhor, o Rei Dem?nio, deseja sangue real há décadas.*
Souta levou a m?o ao queixo, olhando para Meliora.
Ela franziu a testa, mas um arrepio percorreu seu corpo.
Pela primeira vez, ela sentiu o verdadeiro peso da amea?a que os cercava.

