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Chapter 49 — Frozen Smile

  Em algum lugar do reino de Termia, a vila de Toss fervilhava de movimento.

  Caravanas de mercadores cruzavam as ruas estreitas, mulheres negociavam em voz alta, crian?as corriam entre casas de madeira polida que refletiam a luz do sol. O aroma de frutas maduras e p?o fresco se misturava com a poeira da estrada.

  Em meio à multid?o, uma pequena figura encapuzada moveu-se rapidamente.

  Ela esbarrou em um vendedor de frutas, derrubando algumas ma??s no ch?o.

  — *Olha por onde anda!* — resmungou o homem, pegando a fruta. — *Malditos pirralhos, sempre tentando roubar. Já tenho que aturar esses nobres, e agora vocês!*

  A figura tremia, mordendo os lábios. O vendedor tentou agarrá-la pelo bra?o.

  Antes que pudesse, um jovem encapuzado apareceu, com um sorriso gentil no rosto.

  — *Desculpe, senhor.* — Sua voz era leve, quase despreocupada. — *Minha filha tem o hábito de correr sem olhar. Ela tem problemas de vis?o. Aqui…*

  Ele colocou algumas moedas na m?o do comerciante. O homem ficou boquiaberto com a quantia.

  — *T-tanto dinheiro… Tudo bem, vou deixar passar.*

  O jovem prosseguiu seu caminho sem revelar sua identidade. Ele era o Herói do Chocalho.

  A pequena figura ao seu lado, Lily, murmurou friamente:

  — *Se você n?o tivesse aparecido, eu o teria matado.*

  O Herói do Chocalho apenas sorriu.

  — *Tenha paciência, Srta. Lily. N?o podemos estragar o disfarce.*

  Enquanto isso, em uma taverna próxima, o Herói do Escudo observava das sombras.

  — *Você a encontrou?* — perguntou em voz baixa.

  — *Sim* — confirmou o Chocalho.

  O Escudo permaneceu encapuzado, com a voz firme:

  — *Segurem-na. Ela está muito impaciente. Precisamos eliminar nosso alvo o mais rápido possível.*

  No alto de um prédio, a Heroína da Pistola ajustava a mira.

  Sua pele escura brilhava sob o sol, os olhos verdes fixos no alvo. Mechas de dreadlocks azul-escuros escaparam do capuz, balan?ando ao vento.

  — Você discute demais — murmurou ela. — O alvo está na minha mira. Ele parece confuso, perdido... mesmo assim, devo atirar?

  O Escudo confirmou:

  — *Executar.*

  Bang.

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  O tiro ecoou pela aldeia.

  A cabe?a do mercador explodiu em sangue e fragmentos, espalhando frutas pelo ch?o.

  A multid?o entrou em panico, gritos cortaram o ar e os heróis desapareceram nas sombras.

  O Rattle perguntou, tenso:

  — *Por que matamos o alvo? Ele teria nos levado ao General Celestial que estamos procurando.*

  O Escudo, escondido atrás de uma parede, respondeu friamente:

  — *Aquele homem era inútil. Suas memórias foram apagadas. O General Celestial já passou por aqui. Nosso verdadeiro alvo escapou. Vamos nos reagrupar.*

  Mais tarde, na vila de Armoura, depois de sair de uma boutique:

  Meliora usava um vestido branco simples com detalhes florais roxos. Ela ainda estava irritada e envergonhada pelo que havia acontecido.

  Pikonota usava um quimono preto e azul-claro, com um sorriso irritantemente satisfeito.

  Souta, com um sorriso amargo, pensou: *O sorriso protetor n?o funciona mais.*

  Estavam todos sentados na carro?a de um mercador. O clima era pesado.

  Souta tentou quebrar o silêncio:

  — Princesa, eu...

  — *N?o fale comigo.* — Meliora o interrompeu, sem olhar em seus olhos.

  As palavras atingiram Souta como laminas.

  — *Ah, princesa, n?o seja assim. Eu já me desculpei... Ent?o por que estamos voltando para a capital?*

  — *N?o vamos voltar.* — Sua voz era firme. — *Vocês s?o os que me seguiram.*

  Souta suspirou, frustrado: *T?o mimada… mas é t?o fofo ver que ela ainda é só uma menina.*

  — *Princesa, pensei que você estivesse animada com a viagem.*

  Ela fez beicinho, desviando o olhar:

  — *N?o quero mais. Se quiser me impedir, terá que me obrigar.*

  — Você sabe que eu nunca faria isso. Eu nunca te machucaria. — Souta tentou se justificar. — Até quando você vai ficar assim?

  — *Por que reclamar? Estou te deixando livre.* — Meliora cruzou os bra?os, fria.

  Souta esfregou o rosto, irritado.

  — *Aaahhh… que saco. Pior ainda é que, por algum motivo, eu realmente me sinto culpado.*

  Naquele instante, Pikonota se aproximou de Souta.

  Ela sussurrou em seu ouvido, com uma voz íntima e sedutora:

  — Sr. Spoon, parece que ela está realmente zangada. Ela n?o lhe dará ouvidos. Eu, no entanto, o seguirei aonde quer que vá. Mas a princesa já fez sua escolha. Ela n?o quer ficar.

  Seu sorriso se alargou, gélido.

  — *Minha proposta ainda está de pé: torne-se um General Celestial. Você pode trazer a senhorita Meliora como moeda de troca… um sacrifício. Meu Senhor, o Rei Dem?nio, deseja sangue real há décadas.*

  Souta levou a m?o ao queixo, olhando para Meliora.

  Ela franziu a testa, mas um arrepio percorreu seu corpo.

  Pela primeira vez, ela sentiu o verdadeiro peso da amea?a que os cercava.

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