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Samuel esfregou as m?os no rosto, sentindo o suor frio escorrer por sua testa.
— Ele sabe que eu estou aqui... Eu n?o deveria ter usado tanto do meu poder...
A lembran?a daquele lugar ainda queimava em sua mente — o vazio, o toque gelado das sombras, a voz sussurrante do Esquecido. Ent?o, flashes do mundo de Alex invadiram sua memória. Havia algo naquele pesadelo que o conectava àquele momento. Ele se lembrava de já ter estado naquele lugar, quando estava no mundo de Alex, e sentia que o Esquecido estava ficando mais forte a cada momento.
Piscando algumas vezes para ajustar a vis?o, Samuel percebeu que estava deitado em uma maca. O ambiente ao seu redor era escuro, mas pequenos feixes de luz escapavam por frestas metálicas na parede. A arquitetura era fria, futurista, com materiais que refletiam um brilho opaco sob a pouca ilumina??o.
Ele tentou se levantar, mas sentiu uma leve resistência no bra?o. Olhando para o lado, viu um tubo preso em sua veia, transportando algum tipo de líquido para seu corpo. Sua perna também estava enfaixada.
— Parece que alguns destro?os daquela máquina me atingiram.
Com um movimento preciso, ele retirou o tubo do bra?o, sentindo um leve inc?modo. Assim que se colocou de pé, um som metálico ecoou pelo ambiente.
As luzes se acenderam instantaneamente, revelando as paredes lisas e a tecnologia avan?ada do local. Ao mesmo tempo, uma passagem se abriu com um chiado sutil.
Uma mulher entrou na sala. Tinha estatura mediana e cabelos rosa-acinzentados, curtos e volumosos, que pareciam emitir um brilho discreto sob a luz. Suas roupas eram futuristas, um traje metálico maleável que se moldava ao corpo, com pequenos circuitos luminosos percorrendo as mangas e o pesco?o. No peito, um pequeno crachá digital piscava, indicando que ela era uma médica.
Ao notar que Samuel estava acordado, seus olhos se arregalaram levemente. Sem hesitar, virou-se rapidamente e saiu da sala.
Antes que Samuel pudesse refletir mais sobre a situa??o, dois homens entraram no quarto logo em seguida. Eles eram idênticos em altura e porte físico, quase como clones separados apenas pelo tempo. Tinham cabelos curtos, e vestiam trajes futuristicos refor?ados com placas metálicas. No entanto, havia duas diferen?as marcantes: um parecia alguns anos mais velho que o outro e exibia um bra?o completamente mecanizado, brilhando com um tom cromado e detalhes azuis pulsantes.
O que mais chamou a aten??o de Samuel, no entanto, foi o pequeno dispositivo preso à lateral da cabe?a de um deles — um implante neural, com fios finos conectados diretamente ao couro cabeludo, piscando em um ritmo constante
Os dois homens mantiveram-se firmes, como sentinelas. Logo atrás deles, a médica retornou, segurando um relatório digital projetado em um holograma flutuante. Ela olhou diretamente para Samuel e come?ou a falar, mas a língua que usava era completamente desconhecida para ele.
Samuel franziu o cenho.
Definitivamente, nunca ouvi essa língua antes.
Sem op??es, ele levantou as m?os e tentou se comunicar com sinais de Libras.
— N?o entendo a sua língua.
A médica arregalou os olhos por um instante, surpresa. Ent?o, esbo?ou um pequeno sorriso e respondeu com gestos fluídos:
— Você entende Libras?
Samuel assentiu.
— Excelente. Assim poderemos nos comunicar melhor. Como você está se sentindo?
— Estou bem... Mas onde eu estou?
— Você está na Cidadela Valtrex.
Samuel inclinou levemente a cabe?a. Aquele nome n?o significava nada para ele.
Percebendo sua confus?o, a médica acenou com a m?o.
— O que importa é que você está seguro.
Enquanto examinava Samuel, ela ent?o o analisou com mais aten??o, observando suas roupas, que para ela eram antigas, e sua postura firme, porém cautelosa.
— De onde você veio? Suas vestes n?o s?o comuns por aqui.
Samuel manteve o olhar firme por um instante. N?o podia revelar a verdade.
— De um lugar que deixou de existir.
A médica franziu a sobrancelha por um instante, mas depois assentiu.
— Veio de outra Cidadela? Aquela que foi destruída?
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Samuel poderia corrigi-la. Escolheu n?o fazê-lo.
A médica analisou sua express?o e pareceu relaxar um pouco.
— Entendi. Bem, n?o precisa se preocupar. Aqui n?o somos hostis. Poderia me acompanhar?
Samuel olhou para os dois homens, que continuavam imóveis, como estátuas. Depois voltou o olhar para a médica e assentiu.
— Claro.
Ao sair, ele se depara com um corredor que parecia ser parte de uma instala??o futurista. O ambiente ao redor, com suas paredes lisas e impecáveis, transmitia uma sensa??o de seriedade e tecnologia avan?ada, como se fosse um lugar longe do que ele conhecia.
— Aliás, pode me chamar de Dra. Lira Valen — disse a médica, fazendo um sinal com as m?os para Samuel, usando libras.
— E qual seria o seu? — ela perguntou, sem hesitar.
— Samuel.
Samuel? — pensou a médica, intrigada.
Algo naquele nome a fazia sentir uma estranha sensa??o, como se o tivesse ouvido antes. No entanto, n?o teve tempo de ponderar sobre isso, pois logo chegaram a uma entrada. Ela indicou para que os sentinelas esperassem do lado de fora.
O ambiente dentro da sala era ainda mais diferente. Dispositivos que Samuel nunca tinha visto antes estavam espalhados pelo espa?o. Ele observava tudo ao redor, sem entender o motivo de estar ali, mas sem se dar ao luxo de questionar.
— N?o se preocupe, você recebeu um grande impacto por conta daquela explos?o. Preciso saber se você está totalmente bem — disse a Dra. Lira, parecendo genuinamente preocupada, mas com uma calma peculiar em sua voz, enquanto usava libras.
Samuel acenou com a cabe?a, compreendendo a necessidade do exame, e se manteve em silêncio. Ele sabia que estava ali por um motivo, mas n?o tinha ideia do que esperar.
A médica se aproximou, segurando um dispositivo pequeno, mas visivelmente avan?ado. Embora tivesse a aparência de um tablet comum, quando foi ativado, ele iluminou-se de maneira intensa, projetando ícones e gráficos flutuantes no ar. A tecnologia era impressionante, mas Samuel manteve seu foco na tarefa à frente.
— Por favor, relaxe. Este dispositivo ajudará a verificar seu estado — disse ela com uma voz tranquila, quase reconfortante.
Ela posicionou a extremidade do aparelho em seu bra?o, perto do local onde Samuel havia sido atingido pelos destro?os da máquina. A tela brilhou em uma luz, emitindo um leve zumbido enquanto os dados eram coletados.
Ela estudava atentamente a tela, seus olhos focados em cada pequeno detalhe, mas à medida que o exame avan?ava, algo estranho aconteceu. Uma linha no gráfico come?ou a se distorcer de maneira incomum.
— O que é isso? — murmurou Lira, afastando o dispositivo por um momento, perplexa, em libras.
Samuel, que se manteve em silêncio, percebeu o olhar de surpresa que ela lan?ava à tela e se inclinou ligeiramente para observar.
— O que aconteceu? — perguntou ele.
A Dra. Lira hesitou, ainda observando a tela como se n?o quisesse acreditar no que via. Seus olhos se estreitaram, e uma express?o de dúvida surgiu em seu rosto. Finalmente, ela respondeu, a voz carregada de incerteza, ainda usando libras.
— Algo n?o está certo. O gráfico de sua energia vital... mostra picos atípicos. N?o deveria haver essas flutua??es. Algo em seu sistema... parece... diferente.
Ela estava cautelosa em suas palavras, n?o queria assustá-lo, mas sabia que o que via n?o era simplesmente a recupera??o de um ser humano. Havia algo mais — estranho e inesperado, que n?o conseguia entender completamente. Uma presen?a que se destacava em Samuel.
Ela olhou para ele com mais intensidade, observando seus olhos, que pareciam carregar mais do que uma simples vontade de sobreviver. Havia algo em seu olhar, como se ele soubesse, ou sentisse, que algo estava por vir.
Ficou em silêncio por um momento, ponderando as implica??es do que acabara de descobrir. O dispositivo voltou a emitir um brilho fraco, e a tela revelou novamente a "anomalia".
— Ele é uma anomalia... — murmurou a médica, sem conseguir esconder a surpresa que surgia dentro dela.
Ela desviou os olhos da tela por um instante, olhando mais fixamente para Samuel, como se tentasse encontrar algo mais nele. Algo em seu interior dizia que o que acabara de descobrir era apenas o come?o. Ela mal sabia até onde aquela descoberta a levaria.
— Eu preciso mostrar isso para ela... — Murmurou Lira, sentindo um nervosismo crescente. Suas m?os tremiam ao segurar o dispositivo.
Samuel, embora tivesse percebido a surpresa da médica, n?o emitiu nenhuma rea??o. Ele sabia que ela já havia descoberto algo sobre ele, mas preferiu manter o silêncio. Ele ainda n?o estava pronto para revelar os detalhes.
Lira chamou os sentinelas, sua voz agora carregada de apreens?o, ela se virou para os sentinelas, dando uma ordem nervosa:
— Levem-no até a P.A..
Samuel n?o sabia exatamente o que isso significava, mas observou os sentinelas se aproximando. Ele olhou para a médica com uma express?o confusa, mas ela rapidamente respondeu em libras.
— Me desculpe... — disse ela, visivelmente desconfortável.
Ele entendeu a situa??o imediatamente. Os sentinelas come?aram a avan?ar, tentando capturá-lo, mas Samuel, como sempre, foi mais rápido. Em quest?o de segundos, uma pequena luta se desenrolou. Ele neutralizou um dos sentinelas com facilidade, mas, quando estava prestes a fazer o mesmo com o outro, parou. Olhou para a médica.
Ela gesticulava freneticamente, sua postura tensa, quase implorando para que ele se entregasse. Samuel desviou o olhar para Lira. Ela implorava em silêncio.
— Por favor... — ela disse, com uma express?o de súplica.
Samuel suspirou levemente, sua postura firme, mas com uma rara demonstra??o de empatia. Ele soltou um dos sentinelas, permitindo que o outro golpeasse sua cabe?a com uma for?a surpreendente. Em seguida, o sentinela colocou uma algema tecnológica em seus pulsos, restringindo seus movimentos.
A médica, visivelmente aliviada, pediu aos sentinelas que n?o o machucassem mais e pediu desculpas pelo ataque de Samuel. Ela parecia profundamente desconfortável com a situa??o, mas cumpriu seu papel com uma autoridade que contrastava com a apreens?o em seus gestos.
Os sentinelas, ainda incrédulos pela facilidade com que Samuel os havia neutralizado, seguiram as ordens da médica, levando-o de lá. Antes de sair, Lira se aproximou de Samuel, hesitando por um momento.
Ela colocou algo em seu bolso, uma a??o pequena, mas cheia de significado. Quando olhou para ele, disse, com sinceridade, em libras:
— Obrigado...
Samuel a observou, sentindo que, de alguma forma, havia mais nela do que aparentava. Algo que ele n?o conseguia compreender completamente. Mas, por enquanto, ele é levado pelos sentinelas em silêncio, sem saber o que o futuro reservava.
E ent?o, eles saíram de lá.
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