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11 |💫| Ecos do Passado

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  O silêncio do ambiente era perturbador. Cada passo o aproximava de algo que ainda n?o conseguia compreender completamente. As carca?as robóticas come?aram a surgir ao redor de Samuel, espalhadas pelo ch?o como lembran?as enferrujadas de uma era passada. Algumas estavam partidas ao meio, com circuitos expostos; outras n?o passavam de molduras vazias, corroídas pelo tempo. O ar carregava um cheiro metálico, misturado com poeira e umidade.

  Samuel observava tudo com aten??o, seus olhos analisando cada detalhe. Seus sentidos estavam agu?ados, procurando n?o apenas pela amea?a visível, mas também pelos vestígios de um passado perdido.

  — O que aconteceu com todos esses rob?s e máquinas? — Sua voz cortou o silêncio, firme e analítica, sem tra?o de surpresa ou medo.

  P.A. demorou um instante para responder, como se refletisse sobre o peso daquela pergunta.

  — Muitos foram desativados. Outros, simplesmente abandonados quando deixaram de ser úteis. — Sua voz manteve a mesma frieza de sempre, mas Samuel percebeu um resquício de hesita??o, como se ela própria fosse tocada pela solid?o daqueles destro?os.

  Samuel deu alguns passos à frente, seus olhos continuando a varrer os destro?os ao redor. Ele notou que alguns rob?s pareciam ter sido desmontados de forma agressiva, como se tivessem sido destruídos em combate. Havia marcas de tiros e cortes no metal — rastros de batalhas que alguém tentou apagar.

  — E por que alguém iria querer viver em um lugar desses? — Samuel perguntou, sua voz mais suave.

  P.A. permaneceu em silêncio por um momento mais longo. Samuel já sabia a resposta. O que havia levado pessoas a escolherem viver entre os restos de um passado destruído era algo mais sombrio e enraizado.

  — N?o sei... — Ela finalmente respondeu, mas Samuel sabia que n?o era verdade.

  A paisagem ao redor parecia se tornar mais hostil. Entre os destro?os, algo se movia, furtivo. Uma presen?a oculta, espreitando. O ar vibrou. Samuel soube imediatamente: n?o estavam sozinhos.

  Apenas alguns segundos depois, o pressentimento se confirmou.

  — Tem mais alguém aqui. — Disse Samuel, sem virar o rosto, mas com os olhos ajustados, prontos para qualquer movimento.

  Entre as carca?as retorcidas e pilhas de sucata, sombras come?aram a se mover. Pequenas figuras, quase invisíveis, camufladas pela destrui??o, espreitavam Samuel à distancia, avaliando-o. Cada movimento delas era meticulosamente calculado, como se estivessem a postos, esperando o momento certo para agir.

  Ent?o, sem aviso, um grupo emergiu dos destro?os, avan?ando rapidamente e cercando Samuel. A tens?o no ar era palpável, como se todo o ambiente estivesse segurando a respira??o, aguardando o primeiro movimento.

  Samuel permaneceu firme, seu corpo ereto e os olhos frios, analisando cada um dos homens ao seu redor com precis?o. Eles usavam máscaras irregulares, moldadas a partir da própria sucata — nenhuma igual à outra. Nas m?os, armas improvisadas, instáveis, feitas para matar sem precis?o. N?o eram soldados.

  Mas, entre todos, uma figura se destacou.

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  Ele era alto, imponente. O macac?o escuro que ele usava estava repleto de rasgos sutis, como cicatrizes de batalhas passadas, e suas botas pesadas ecoavam contra o metal retorcido a cada passo. Ele n?o se apressava, caminhava com uma calma desafiadora, como se estivesse em total controle da situa??o. Sua máscara negra e lisa cobria completamente seu rosto, sem express?o, mas com uma fissura horizontal onde os olhos deveriam estar, brilhando em um tom frio e enigmático. Era impossível ler seus sentimentos, mas sua presen?a, sombria e enigmática, transmitia poder.

  Diferente dos outros, ele n?o precisou erguer uma arma. Sua presen?a era o suficiente para silenciar o grupo ao seu redor. Eles aguardavam sua lideran?a, prontos para seguir qualquer ordem que ele desse.

  Ele caminhou calmamente entre os destro?os, seus passos lentos e deliberados, até parar diante de Samuel. A distancia entre eles era curta, mas a tens?o no ar tornava-se imensa. Seu olhar, invisível sob a máscara, parecia perfurar qualquer um que ousasse encará-lo. Como se ele pudesse ver algo além do que era visível, algo que estava escondido nas entrelinhas de cada movimento.

  Os outros permaneciam imóveis, suas m?os firmes segurando as armas improvisadas, apontadas diretamente para o rosto de Samuel. O momento era decisivo. A tempestade estava prestes a come?ar.

  De repente, a figura imponente falou, sua voz sombria e abafada cortando o silêncio.

  — O que um estranho como você faz aqui por essas terras... acompanhado? — A voz carregava uma leve incredulidade, mas também uma amea?a velada. Ele deixava bem claro que notara o dispositivo no ouvido de Samuel, algo que o colocava em uma posi??o vulnerável.

  Samuel, sem perder a compostura, ergueu lentamente as m?os, as palmas voltadas para frente, mas sem um gesto de rendi??o. Era um movimento controlado, calculado. Ele n?o estava ali para um confronto, mas também n?o estava disposto a se mostrar fraco. O gesto simples de elevar as m?os transmitia autocontrole, uma mensagem clara de que n?o era uma amea?a, mas também n?o estava ali para ser subestimado.

  O homem à sua frente observou o gesto de Samuel, os olhos ocos sob a máscara escura, avaliando-o com mais intensidade. A tens?o no ar aumentava, mas Samuel manteve sua postura imperturbável, aguardando o próximo movimento.

  O grupo de figuras ao redor, com suas armas feitas de sucatas, ficou em silêncio, esperando a ordem do líder. O homem diante de Samuel ainda o observava atentamente, como se estivesse testando sua atitude e suas inten??es.

  — Você é um homem de poucas palavras, n?o é mesmo? — Ele finalmente disse, sua voz ainda grave e cheia de um respeito silencioso.

  — Seja o que for que você veio fazer aqui, essa coisa na sua cabe?a n?o é bem-vinda.

  A tens?o era quase insuportável, mas Samuel permaneceu firme, sem ceder.

  O homem se aproximou de Samuel, e quando estava prestes a tocar no dispositivo em sua cabe?a, Samuel agarrou sua m?o com firmeza, impedindo o gesto.

  Os outros ao redor estavam quase prontos para atirar em Samuel, mas o homem levantou sua outra m?o e, com um movimento fluido, ordenou que os outros abaixassem suas armas.

  Ele sentiu a for?a de Samuel, percebeu a energia que emanava dele, mas n?o notou nenhuma rea??o de medo, nem mesmo dor. O homem observou Samuel com um olhar calculador, reconhecendo algo único nele.

  Draken entendeu que Samuel n?o era comum.

  Samuel, ainda com a m?o firme sobre a do homem soltou-a lentamente.

  — Você é forte. Muito forte para uma pessoa comum. — O homem comentou, uma pontada de admira??o em sua voz, como se estivesse surpreso com a resistência de Samuel, com a confian?a que ele emanava.

  — Me chamo Draken, O Poderoso. — Ele se apresentou com um tom respeitoso, n?o de submiss?o, mas de reconhecimento. Ele sabia com quem estava lidando.

  — Você pode entrar.

  Draken fez um breve gesto com a m?o.

  Houve um ruído metálico sob os pés de Samuel — baixo, profundo, como engrenagens antigas despertando. A sucata ao redor tremeu levemente, e ent?o o ch?o se abriu, revelando uma passagem estreita, oculta sob camadas de ferrugem e terra.

  Aquilo já estava ali. Apenas esperando.

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