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Capítulo 22: O Crisol do Abismo

  A revela??o de Moisés pairou no ar fresco da manh?, pesada e cheia de promessas. Maria foi a primeira a quebrar o silêncio, a sua exaust?o esquecida, substituída por um brilho de pura excita??o nos seus olhos.

  "O Martelo dos Elementos?", repetiu ela, saboreando as palavras. "Isso soa... pesado. E incrível! Cara, que nome!"

  Rick, por outro lado, estalou o pesco?o, o seu rosto uma máscara de desdém que mal conseguia esconder o seu óbvio interesse. "é claro que tinhas de ser tu", resmungou ele. "Sempre a receber os brinquedos novos. Mas n?o penses que vais ser mais forte do que eu só porque tens um martelo mágico, ouviu, insolente?"

  Moisés ignorou a provoca??o com um aceno de cabe?a. Ele já aprendera a traduzir o dialeto de Rick. Aquela era a forma dele dizer "Estou dentro".

  "O Primeiro n?o me deu detalhes sobre o que o martelo pode fazer", admitiu Moisés, o seu tom a tornar-se sério. "E, para além disso, há um problema maior. Nós n?o temos nenhuma pista de onde este vil?o, Magneus, ou o martelo, possa estar. O universo é um lugar muito, muito grande."

  A energia borbulhante de Maria murchou um pouco. A realidade fria e prática da tarefa abateu-se sobre eles. Estavam no ponto de partida de uma miss?o cósmica, mas n?o tinham um mapa, nem mesmo uma bússola.

  O silêncio instalou-se na arena, quebrado apenas pelo som do vento a passar pelas torres flutuantes da academia. Foi ent?o que Rick, surpreendendo a todos, deu um passo em frente. A sua express?o, normalmente arrogante, era agora sombria e ponderada.

  "Eu tenho uma sugest?o", disse ele, a sua voz baixa e relutante. "Mas é incrivelmente estúpida e perigosa."

  Maria e Moisés olharam para ele, a sua aten??o totalmente focada. Rick raramente sugeria planos.

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  Ele respirou fundo. "Nós podemos tentar encontrar alguma pista... no Crisol do Abismo."

  O nome caiu como uma pedra num lago silencioso, criando ondas de choque. O rosto de Maria empalideceu instantaneamente, o seu entusiasmo a transformar-se em puro horror.

  "Tu ficaste completamente maluco?!", exclamou ela, a sua voz um sussurro chocado. "Rick, ninguém entra no Crisol. A última vez que uma equipa de elite da Zenith tentou uma infiltra??o, a 'Incurs?o Fantasma'... eles foram massacrados. Encontraram o que restou deles na fronteira. Isso n?o é uma miss?o perigosa, é suicídio!"

  O aviso dela n?o era um exagero. Era uma história de terror contada a todos os cadetes. O Crisol do Abismo, a academia dos vil?es, n?o era apenas um lugar de treino; era uma fortaleza impenetrável.

  Moisés permaneceu em silêncio, o seu olhar perdido no horizonte. Na sua mente, o aviso de Maria lutava contra a urgência da ordem do Primeiro. Perder os seus novos amigos era o seu maior medo. Mas falhar na sua miss?o... isso significaria que a morte da sua família tinha sido em v?o.

  Ele olhou para o rosto pálido de Maria, depois para a express?o sombria de Rick, e uma nova e fria determina??o endureceu o seu olhar.

  "Pode funcionar", disse ele finalmente, a sua voz calma a cortar a tens?o.

  "Moisés, ficaste maluco tu também?!", retorquiu Maria, desesperada. "Nós podemos morrer!"

  "Da última vez", disse Moisés, os seus olhos a brilhar com uma confian?a fria que fez Maria parar. "Eles n?o me tinham a mim."

  A arrogancia na sua voz era inegável, mas era sustentada por uma verdade que todos na arena conheciam. Ele era diferente. Ele era a variável que podia mudar a equa??o.

  "Nós n?o vamos entrar a lutar", continuou ele, o seu cérebro já a trabalhar. "Vamos ser fantasmas. Uma miss?o de reconhecimento. Nós somos a melhor equipa desta academia. Rick, a tua resistência é a nossa defesa. Maria, a tua velocidade é a nossa rota de fuga. E eu...", ele fez uma pausa, "eu sou a nossa chave."

  Ele olhou para os seus amigos, a sua confian?a a tornar-se contagiante. "Eu estou destinado a ser o maior herói do universo. Uma miss?o suicida parece um bom lugar para come?ar."

  Um sorriso relutante formou-se no rosto de Rick. Era o tipo de lógica perigosa que ele conseguia respeitar. Maria, ainda que apavorada, sentiu a sua própria determina??o a regressar, alimentada pela fé que tinha no seu amigo. Ela confiava em Moisés mais do que temia o Crisol.

  "Vale a pena tentar", concluiu Moisés. "Mas n?o podemos falhar. Temos de ter um plano. Um plano perfeito."

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