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Capítulo 25: O Sussurro e a Tempestade

  O pátio do Crisol do Abismo era um pesadelo de simetria gótica. Estátuas de vil?es lendários, cujos nomes eram sussurrados com medo em mil mundos, observavam-nos com olhos de pedra frios e vazios. O ar era t?o pesado e carregado com uma energia sombria que parecia difícil respirar. O disfarce de guardas dava-lhes anonimato, uma camada de prote??o frágil, mas a sensa??o de estarem em território inimigo era um arrepio constante na espinha, um lembrete de que cada passo em falso poderia ser o último.

  "Vamos separar-nos. Cobrimos mais terreno assim", sussurrou Moisés, a sua voz, mesmo alterada para soar como a do guarda, mantendo um tom de comando natural. Ele apontou com a cabe?a para as diferentes áreas da fortaleza. "Vou verificar os arquivos nos níveis superiores, na biblioteca. é o lugar mais provável para encontrar registos de ex-alunos."

  "Certo", respondeu Rick, a sua voz grave e profunda a soar estranha e contida vinda do corpo do guarda. "Eu fico com os níveis inferiores. Armazéns, docas de carga... se Magneus recebeu algum equipamento especial, pode haver um rasto."

  "Tudo bem", disse Maria, a sua postura tensa a trair o nervosismo que a sua voz tentava esconder. "Eu investigo a área central da academia. Salas de aula, terminais de acesso comuns... talvez encontre alguma coisa."

  "Perfeito", concluiu Moisés. "Encontramo-nos aqui neste mesmo pátio dentro de uma hora. Sem atrasos. E lembrem-se", acrescentou ele, o seu olhar a endurecer, "a regra de ouro: evitem combate a todo o custo. Se formos descobertos, a miss?o acaba."

  Rick e Maria assentiram em silêncio. Com um último olhar de confirma??o, cada um partiu na sua dire??o, desaparecendo como fantasmas nas sombras da arquitetura opressiva.

  ...

  Nos níveis inferiores, o cheiro a mofo, a ozono e a óleo queimado enchia o ar. Rick movia-se com uma cautela que n?o lhe era natural por entre caixotes de metal e terminais de dados empoeirados. A sua miss?o era procurar, n?o lutar, e a quietude do armazém cavernoso estava a deixá-lo nos nervos. Ao encontrar um terminal de acesso e come?ar a vasculhar os ficheiros de registos de carga, sentiu uma presen?a atrás de si, um arrepio que o avisou tarde demais.

  "Um guarda a vasculhar os terminais do armazém. Isso é... peculiar."

  A voz era jovem, arrastada e cheia de uma arrogancia divertida. Rick paralisou por um instante antes de se virar lentamente. Um rapaz magro, com um sorriso trocista no rosto e olhos que brilhavam com uma inteligência perigosa, estava encostado a um pilar, a observá-lo com um interesse casual.

  "N?o devias estar nas aulas, garoto?", retorquiu Rick, tentando projetar uma autoridade que n?o sentia, a sua voz a sair mais alta do que pretendia. "Estou apenas a fazer o meu trabalho. Uma ronda de seguran?a."

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  O rapaz, Marco, deu um passo em frente, o sorriso a alargar-se. "O teu trabalho é vigiar o perímetro, n?o mexer em arquivos confidenciais que requerem uma autoriza??o de nível três. Que tipo de 'ronda' é esta?"

  O nervosismo de Rick come?ou a transparecer, a sua paciência a esgotar-se. A sua voz saiu mais áspera. "Ouve, tu n?o decides qual é o meu trabalho. Volta já para as tuas aulas antes que te meta num relatório por insubordina??o!"

  Foi o erro fatal. A hesita??o, a autoridade for?ada, a amea?a despropositada. Marco inclinou a cabe?a, o seu sorriso a desaparecer, substituído por uma súbita e brilhante realiza??o. "Tu n?o és um de nós."

  Antes que Rick pudesse sequer processar o que fora dito, o espa?o à sua volta dobrou-se. Marco desapareceu e reapareceu instantaneamente atrás dele, o seu pé a atingir a parte de trás do joelho de Rick com uma precis?o cirúrgica. O impacto desequilibrou-o e, no momento em que o seu corpo tocou no ch?o, a luz dourada do disfarce de Moisés cintilou e desvaneceu-se, revelando o verdadeiro Rick.

  Ele levantou-se rapidamente, a sua pele já a transformar-se na sua familiar e impenetrável armadura de diamante negro.

  Marco assobiou, uma mistura de espanto e excita??o nos seus olhos. "N?o pode ser. Um herói insolente da Zenith, aqui no nosso ninho. Que audácia! Tenho de soar o alarme!"

  Num piscar de olhos, Marco teleportou-se para o outro lado do armazém. Rick investiu contra ele com um rugido, mas o seu punho apenas atingiu o ar vazio enquanto Marco reaparecia nas vigas do teto, a rir-se. A luta tinha come?ado, uma dan?a frustrante entre um tanque imparável e um fantasma intocável, o som dos seus impactos a ecoar pelas funda??es da academia.

  ...

  Enquanto isso, nos andares superiores, Moisés movia-se silenciosamente pela biblioteca cavernosa do Crisol. Prateleiras que iam até ao teto guardavam n?o livros, mas pergaminhos de energia escura e cristais de dados que pulsavam com conhecimento proibido. Ignorando as tenta??es, focou-se nos terminais de registo de pessoal. E lá, depois de contornar várias camadas de seguran?a, encontrou o que procurava: um ficheiro encriptado com o nome "Magneus". Sem perder tempo, transferiu os dados para um dispositivo oculto e saiu, a sua parte da miss?o um sucesso limpo e silencioso.

  Maria, por seu lado, n?o teve tanta sorte. Os corredores principais e as salas de aula estavam ou vazios ou vigiados de perto. Sem encontrar nenhuma abertura segura, ela cumpriu a ordem principal: evitar o risco. Frustrada, mas disciplinada, regressou ao ponto de encontro no pátio.

  Ela chegou e encontrou Moisés, já na sua forma de guarda, à espera nas sombras.

  "Alguma coisa?", perguntou ele.

  Maria abanou a cabe?a. "Nada. E tu?"

  Moisés deu um toque subtil no bolso, um sinal de sucesso. "Eu consegui. Mas... onde está o Rick? O tempo dele já acabou."

  Antes que a sua preocupa??o pudesse transformar-se em panico, um som ensurdecedor de uma explos?o abafada veio de baixo dos seus pés. O ch?o de pedra do pátio tremeu violentamente. De repente, uma sec??o do solo explodiu para cima numa chuva de terra e rocha, e o corpo de Rick foi lan?ado pelo ar como um projétil, caindo com um baque surdo e imóvel a poucos metros deles, o seu disfarce há muito desaparecido. Estava inconsciente.

  Da cratera fumegante, Marco emergiu calmamente, limpando o pó da sua roupa com uma indiferen?a estudada. Olhou para o corpo de Rick, depois para os dois "guardas" parados, e um sorriso de desprezo formou-se no seu rosto.

  "Ent?o?", disse ele, a sua voz a ecoar pelo pátio silencioso. "V?o ficar aí parados a olhar, ou v?o ajudar-me a prender este intruso?"

  


  E o plano infalível... falhou. A arrogancia do Rick custou-lhe caro, e agora o trio está numa situa??o impossível. Adorei escrever a personagem do Marco, o teletransportador. O que acham que o Moisés e a Maria v?o fazer a seguir?

  A continua??o chega amanh?! Preparem-se, porque as coisas v?o ficar ainda mais complicadas.

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