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Capítulo 5: Cinzas de um Futuro

  [Noite Anterior]

  Longe, numa dimens?o onde a luz ousava n?o entrar, um ser estava sentado num trono forjado de obsidiana e pesadelos solidificados. O ar à sua volta era frio, morto. De repente, ele mexeu-se. O Magic Negro, um dos ca?adores da Ordem das Trevas, sentiu algo que n?o sentia há eras: a igni??o de uma Esfera de Luz. Uma pequena, mas inconfundível, picada de esperan?a na vasta escurid?o do cosmos.

  Ele levantou a cabe?a, e um sorriso cruel contorceu os seus lábios. "Um Magic Dourado. Ingénuo", rosnou ele, a sua voz como o ranger de pedras tumulares. Sem hesitar, sem qualquer delibera??o, ele estendeu a m?o. Da sua palma, uma lan?a de pura escurid?o materializou-se, um projétil que n?o viajava através do espa?o, mas que perfurava o tecido da própria realidade. O seu alvo n?o era um lugar, mas um conceito: a localiza??o exata daquela energia dourada. A lan?a desapareceu do seu mundo, iniciando a sua jornada lenta, mas imparável, através das dimens?es.

  [Presente – Manh? de Sábado]

  O ar fresco da manh? no bosque enchia os pulm?es de Moisés, um contraste gritante com a energia cósmica que fervilhava dentro dele. Diante dele, a forma etérea do Guardi?o brilhava suavemente sob o dossel das árvores.

  Antes de aprenderes a lutar, tens de aprender a ser, disse a voz do Guardi?o na sua mente. O poder que carregas responde à tua vontade, à tua emo??o. A transforma??o é o teu primeiro passo. Concentra-te. Isole o medo. Silencia a dúvida. Foca-te apenas na luz dourada, na paz que ela representa.

  Moisés obedeceu. Sentou-se de pernas cruzadas na relva húmida e fechou os olhos. Mergulhou na sua mente, para além do barulho dos seus pensamentos, em busca daquela sensa??o quente que sentira no dia anterior. Lembrou-se do brilho, da promessa, da aceita??o. E a luz, como um ser vivo, respondeu ao seu chamado.

  Uma aura dourada, visível e vibrante, explodiu do seu corpo, envolvendo-o num casulo de poder puro. A sua pele come?ou a mudar, a perder a sua textura humana e a adquirir um brilho metálico e ofuscante. Em minutos, ele estava completamente transformado, uma estátua viva de ouro polido, os seus olhos a arder com uma luz interna.

  Muito bem, disse o Guardi?o, a sua voz tingida de aprova??o. A tua Esfera interna, agora fundida contigo, permite-te manter esta forma. Mas n?o te enganes, n?o és invencível. Se o teu foco vacilar, se o medo ou a raiva tomarem conta, a transforma??o cederá.

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  Moisés levantou-se. O poder que sentia era inebriante, uma for?a que parecia capaz de mover montanhas a pulsar em cada fibra do seu novo corpo. Um sorriso, o primeiro sorriso genuíno de alegria e poder, espalhou-se pelo seu rosto dourado.

  Agora, disse o Guardi?o. Tenta acertar-me.

  O sorriso de Moisés alargou-se. Ele avan?ou, n?o como um rapaz, mas como um relampago. O seu movimento era um borr?o de luz. Mas o Guardi?o, um mestre de incontáveis batalhas, desviou-se sem o menor esfor?o. O que se seguiu foi um jogo, uma dan?a de luz entre mestre e aprendiz sob a paz da floresta.

  E foi no meio daquela dan?a inocente que a lan?a de escurid?o, depois de viajar por uma eternidade e por um instante, chegou finalmente ao seu destino.

  O Guardi?o parou de repente. A sua forma holográfica cintilou violentamente, como uma transmiss?o a perder o sinal. Ele ignorou Moisés e virou-se bruscamente na dire??o da cidade distante, a sua express?o etérea a contorcer-se numa máscara de puro e absoluto horror.

  A transforma??o dourada de Moisés desfez-se instantaneamente, o poder a recuar para o seu interior, deixando-o novamente um rapaz de carne e osso, confuso e ofegante. "O que foi? O que se passa?"

  Ele seguiu o olhar petrificado do Guardi?o. E viu. Para além das árvores, subindo para o céu azul de sábado, uma coluna de fumo negro e denso. Um pilar de destrui??o que subia exatamente do seu bairro. Do local exato da sua casa.

  "N?o. N?o, n?o, n?o." A nega??o foi um sussurro, um feiti?o fraco contra a realidade que o esmagava. Ele come?ou a correr. Correu mais rápido do que alguma vez correra na sua vida, os ramos a arranharem-lhe o rosto, os seus pulm?es a arderem, mas ele n?o sentia nada para além do panico gelado que lhe subia pela garganta.

  Ao chegar à sua rua, o cheiro acre e doentio a queimado encheu o ar, sufocando-o. Onde a sua casa deveria estar, onde o seu quarto, a sua família, a sua vida inteira existiam, havia apenas uma cratera fumegante e negra, uma ferida aberta na terra. O carro do seu pai estava virado, as chamas a lamberem a sua carca?a enegrecida. O baloi?o da sua irm?, onde ela rira na tarde anterior, era agora um emaranhado de metal retorcido e derretido.

  Moisés caiu de joelhos na cal?ada partida, o impacto a maltratar-lhe os ossos, mas a dor era uma coisa distante. O poder magnífico que, momentos antes, o enchera de um orgulho infantil, tinha servido apenas como um farol, um sinal luminoso que guiara a destrui??o diretamente para tudo o que ele amava.

  E pela primeira vez, o rapaz que sonhava em ser um herói soltou um grito. N?o foi um grito de raiva ou de medo. Foi um som arrancado das profundezas da sua alma, um uivo de pura e absoluta agonia que ecoou pela rua silenciosa, um testemunho do fim do seu mundo.

  A sua aventura tinha acabado antes mesmo de come?ar. A sua vingan?a tinha acabado de nascer.

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