A luz ofuscante do portal desvaneceu-se, deixando Moisés de pé, a piscar os olhos, na entrada de um edifício que desafiava a imagina??o e a própria física. A Academia Zenith n?o era feita de tijolo e argamassa, mas de um material branco e liso que parecia brilhar com uma luz própria, suave e constante. Acima dele, torres elegantes flutuavam no céu de um planeta alienígena, conectadas por pontes etéreas de pura energia azul. Era magnífico. Era avassalador.
Por um momento, o nervosismo, um velho inimigo que ele pensava ter derrotado, apoderou-se dele. Ele estava completamente sozinho, num mundo novo, numa galáxia nova. Ele n?o conhecia ninguém. E, para ser honesto, nunca fora bom a fazer amigos novos. A sua mente voltou por um instante ao rapaz nerd que desenhava nos corredores da escola. Ele fechou os olhos por um segundo, respirou fundo o ar estranho e limpo, e invocou a mesma confian?a fria e calculada que usara na sua prova na Terra. Com os ombros para trás e o queixo erguido, entrou.
O interior era um formigueiro de atividade caótica e vibrante. Corredores vastos e iluminados estavam repletos de seres de todas as formas e tamanhos que Moisés jamais poderia ter imaginado. Havia gigantes rochosos a caminhar ao lado de pequenas fadas de asas cintilantes, humanoides com pele de todas as cores do espetro e criaturas que pareciam feitas de pura energia. De repente, uma rajada de vento passou zunindo ao seu lado, fazendo o seu cabelo voar descontroladamente.
Uma rapariga com um uniforme azul e prateado da academia parou instantaneamente à sua frente, o seu movimento a passar de uma velocidade estonteante a uma imobilidade perfeita num piscar de olhos. O seu cabelo curto e espetado, que se eri?ara com o vento, assentou perfeitamente no lugar.
"Oi! Tu deves ser novo", disse ela, a sua voz a borbulhar com uma energia que parecia prestes a explodir. "As inscri??es para os testes de admiss?o s?o por ali." Ela apontou com o polegar para um grande arco do outro lado do corredor. "Eu já fui selecionada, claro. Sou incrível, n?o é?" Ela piscou-lhe o olho e, antes que Moisés pudesse sequer formular uma resposta, disparou pelo corredor, deixando para trás apenas um rasto de vento e a sensa??o de que acabara de conhecer um cometa humano.
Um pouco atordoado, Moisés murmurou um "obrigado" para o ar vazio e seguiu na dire??o indicada. Foi a primeira vez que alguém falou com ele neste novo mundo.
A sala de sele??es era um anfiteatro gigante, as suas bancadas cheias de dezenas de outros candidatos que aguardavam nervosamente a sua vez. No centro da arena, vários alunos demonstravam os seus poderes perante um painel de instrutores de ar severo e impenetrável. Um deles, um ser rochoso e imponente cuja voz parecia o ranger de continentes, olhou na dire??o de Moisés. "Tu! O humano! Prepara-te, serás o próximo."
Moisés apenas assentiu. Quando o seu nome foi chamado, desceu para a arena. Os murmúrios nas bancadas cessaram. Todos os olhos estavam nele, o recém-chegado.
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"Mostra-nos o que vales", disse o instrutor rochoso, a sua voz a ressoar pela arena.
Mantendo-se fielmente dentro do seu limite de 50%, Moisés n?o fez nada de vistoso. N?o criou esferas de energia, n?o se moveu a super-velocidade. Em vez disso, virou-se para os outros candidatos que o observavam das bancadas e falou, a sua voz calma e clara a cortar a tens?o no ar. "Eu preciso de um voluntário para um combate de treino."
Um silêncio chocado instalou-se na arena, rapidamente seguido por um surto de cochichos e risos abafados. Era uma atitude incrivelmente ousada, quase arrogante. Um candidato alto e de ombros largos, com uma express?o de escárnio no rosto, levantou-se. "Eu trato do caloiro."
Ele desceu para a arena, estalando os nós dos dedos ruidosamente. Os instrutores apenas observaram, os seus rostos indecifráveis, mas com um brilho de interesse. O voluntário partiu para o ataque com uma velocidade surpreendente, um soco direto e brutal apontado ao rosto de Moisés.
Mas o soco nunca acertou. Moisés n?o se moveu como um lutador, moveu-se como a água. Com um desvio quase impercetível do tronco e um toque suave no bra?o do atacante, ele redirecionou toda a for?a do golpe. O voluntário, desequilibrado pela sua própria for?a, passou a cambalear por ele, atingindo o ar vazio.
Frustrado e envergonhado, o rapaz tentou de novo, desta vez com uma série de ataques rápidos e selvagens. Mas para cada soco, havia um desvio gracioso. Para cada pontapé, uma esquiva fluida. Moisés n?o atacava, n?o bloqueava com for?a. Ele simplesmente guiava a fúria do seu oponente para o vazio, usando o seu Instinto de Batalha de forma t?o subtil e económica que, para os observadores, parecia pura sorte ou uma habilidade sobrenatural. A arena inteira prendeu a respira??o, a observar aquela dan?a unilateral.
Num último ato de desespero, o voluntário soltou um grito de raiva e avan?ou numa investida final e desajeitada. Moisés esperou até ao último segundo. Depois, calmamente, deu um passo para o lado e estendeu a perna. O seu oponente trope?ou espetacularmente, caindo de cara no ch?o da arena com um baque surdo e humilhante.
Moisés ficou de pé sobre ele, sem um único arranh?o, a sua respira??o calma e regular. O silêncio na sala era absoluto, denso. N?o fora uma demonstra??o de poder bruto, mas de controlo, técnica e uma calma que era quase mais intimidante do que qualquer explos?o de energia. Os instrutores entreolharam-se, e um deles deu um ligeiro e quase impercetível aceno de cabe?a, impressionado.
Mais tarde, já com a confirma??o oficial de que fora selecionado, Moisés procurou pela rapariga supersónica. Encontrou-a junto a uma fonte de energia que pulsava ritmicamente no pátio principal, parecendo um cora??o azul.
"Oi, tu és aquela rapariga, certo?", come?ou ele, um pouco sem jeito.
Ela virou-se com um sorriso rasgado. "A 'incrível', queres tu dizer. Sim, sou eu. O meu nome é Maria. E tu és...?"
"Moisés. Prazer em conhecer-te."
"Ent?o, o caloiro que calou a arena conseguiu entrar?", perguntou Maria, dando-lhe um soco amigável, mas surpreendentemente forte, no ombro. "Aquilo que fizeste foi... uau. Ninguém estava à espera daquilo."
"Sim, fui", respondeu Moisés, e um pequeno, mas genuíno, sorriso formou-se no seu rosto.
"Parabéns, Moisés!", disse ela, mas depois o seu tom tornou-se um pouco mais sério, e ela olhou para as imponentes torres flutuantes da academia. "Mas prepara-te. Ser selecionado é a parte fácil. Agora, o verdadeiro desafio vai come?ar."

