O ar no interior do Templo Dourado era pesado com o silêncio de milénios. O lugar era imaculadamente preservado, como se estivesse fora do próprio tempo. Pilares de ouro maci?o erguiam-se para um teto que se perdia na escurid?o, as suas paredes adornadas com gravuras de batalhas cósmicas e da cria??o de sóis.
Mas Maria e Rick só podiam imaginar o que estava lá dentro.
Quando o trio se materializou diante da fachada imponente do templo, a admira??o foi rapidamente substituída por um obstáculo. O port?o colossal de ouro estava perfeitamente selado, sem qualquer sinal de fechadura ou mecanismo.
"E agora?", perguntou Maria. "Como é que entramos?"
Moisés, no entanto, sentiu um pux?o, um chamado silencioso que vinha de dentro, uma ressonancia com a Esfera no seu peito. Instintivamente, ele ergueu a m?o. Antes que os seus dedos tocassem no metal, a energia dourada na sua palma brilhou. Em resposta, as gravuras no port?o iluminaram-se, e com um som profundo e ressonante, o ouro come?ou a deslizar para o lado.
Moisés entrou, maravilhado. "Venham!"
Mas quando Maria e Rick tentaram segui-lo, foram repelidos com um solavanco. Uma barreira de luz dourada, impenetrável, bloqueava a sua passagem.
"O que é isto?!", gritou Rick, frustrado.
Moisés virou-se e viu-os do outro lado, ao mesmo tempo que ouvia o som do port?o a come?ar a fechar-se, pesado e inexorável. Ele compreendeu. Este era um teste para ele. Um caminho que ele, e apenas ele, tinha de percorrer sozinho.
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"N?o se preocupem!", gritou ele. "Fiquem de vigia e esperem por mim! Eu volto em minutos!"
Com um último olhar para os seus amigos, ele viu o port?o fechar-se, mergulhando-o na quietude sagrada do templo.
Lá dentro, isolado, Moisés avan?ou. A cada passo, as gravuras nas paredes brilhavam suavemente, como se o reconhecessem. O caminho levou-o a uma camara final, onde, sobre um pedestal de cristal, repousava o verdadeiro Martelo dos Elementos.
Era magnífico. A sua cabe?a era feita de um metal estelar que parecia conter uma galáxia, e o seu cabo de madeira antiga estava coberto de entalhes indecifráveis. Era uma arma de poder imenso, mas, tal como o templo, parecia estar a dormir.
Moisés aproximou-se e tocou no cabo. Uma onda de informa??o pura inundou a sua mente. Sentiu o poder da cria??o – o trov?o, o terramoto, o furac?o – tudo contido, mas adormecido. E sentiu a sua condi??o: incompleto. Vazio. Na sua mente, viu a imagem de treze ranhuras vazias no cabo do martelo, cada uma com a forma de uma runa.
Ele agarrou o martelo. Era pesado, n?o de uma forma física, mas com o peso da responsabilidade, o peso de uma busca que ele agora percebia que mal tinha come?ado.
"Ele está... adormecido", sussurrou Moisés. "O poder dele foi selado em treze runas."
De repente, o pergaminho que os trouxera até ali materializou-se no ar. Uma nova linha dourada desenhou-se no mapa, formando o símbolo da primeira runa: a Runa da For?a. Abaixo, um conjunto de coordenadas estelares come?ou a brilhar.
Com o martelo numa m?o e a sua miss?o agora cristalina, Moisés regressou ao port?o. Ao aproximar-se, este abriu-se, revelando os rostos aliviados de Maria e Rick. Ele saiu do templo, a sua express?o uma mistura de solenidade e uma nova e feroz determina??o.
"Ent?o?", perguntou Rick, com o seu sarcasmo habitual. "Encontraste um pisa-papéis glorificado?"
"Encontrei", respondeu Moisés, erguendo o martelo adormecido. "Encontrei o nosso caminho. A nossa verdadeira miss?o." Ele olhou para os seus amigos, um fogo nos seus olhos. "A ca?a às runas come?a agora."

