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79. Correção em Andamento

  O mundo muda sem aviso.

  N?o há sinal.

  N?o há presen?a chegando.

  N?o há som.

  Há incompatibilidade.

  O ar come?a a se comportar como algo que n?o concorda consigo mesmo. N?o gira ainda, hesita. Press?es surgem onde n?o deveriam, como se o espa?o estivesse tentando escolher múltiplas dire??es ao mesmo tempo e falhando em todas.

  Ribeiro continua andando.

  Porque ninguém disse para parar.

  Ent?o Noxyt fala.

  "…merda."

  N?o é palavra jogada fora.

  é registro imediato.

  Ribeiro n?o sente perigo.

  Sente apenas que o caminhar ficou… impreciso. O passo n?o erra, mas deixa de ser confortável, como se o ch?o tivesse perdido o acordo tácito de sustentar daquele jeito.

  "Ribeiro."

  A névoa se contrai por hábito antigo.

  "O ambiente gasoso entrou em satura??o conceitual."

  "N?o é clima."

  "N?o é fen?meno."

  Pausa curta demais para ser calma.

  "é corre??o."

  Ribeiro para.

  N?o porque entendeu.

  Porque o filtro atrasou.

  Logo pensou.

  This text was taken from Royal Road. Help the author by reading the original version there.

  — (Que…?)

  O ar fecha.

  N?o em torno do corpo, em torno do espa?o. Vértices de press?o surgem como dobras invisíveis, cada um puxando a matéria em um eixo diferente. Onde dois se cruzam, o vazio range.

  Noxyt vê.

  Vê trinta e dois pontos de instabilidade simultanea.

  Vê difus?o for?ada.

  Vê o domínio de Gazp sendo aplicado sem inten??o de espetáculo.

  "CORRE."

  A palavra vem crua.

  Sem tradu??o.

  Ribeiro obedece.

  N?o sabe por quê.

  Mas o corpo se move quando o filtro libera urgência suficiente.

  O primeiro passo quase falha.

  O ar resiste. N?o empurra, tritura. Cada avan?o exige mais existência do que o corpo deveria fornecer. Algo dentro do Ribeiro cede, n?o em dor, mas em ausência nova.

  "TELEPORTA."

  Ribeiro tenta.

  O espa?o n?o aceita imediatamente. O intervalo entre decis?o e deslocamento fica espesso, como se alguém estivesse segurando a página antes de virar.

  Noxyt entende.

  "Tem mais gente aqui."

  N?o “pessoas”.

  N?o “presen?as”.

  Registros ativos.

  Peso sendo recalculado.

  Consequência em pré-cobran?a.

  Mordren.

  O segundo passo arranca algo que n?o volta. N?o memória. N?o sentido. Um limite. Algo que antes dizia “até aqui” simplesmente deixa de existir.

  O ar come?a a girar errado.

  Agora sim.

  — (QUE PORRA é ESSA?)

  pensa Ribeiro, tarde demais.

  "Depois eu explico o conceito."

  "AGORA SAI."

  O teleporte acontece rasgado.

  N?o é deslocamento limpo. é fuga aceita por exce??o. O espa?o dobra sem elegancia, empurrado pela Tecel? do Vazio Entre, n?o por favor, mas porque o intervalo ainda tolera erro mínimo.

  Por um instante, apenas um, Ribeiro n?o está em lugar nenhum.

  Noxyt segura o filtro com for?a suficiente para quase quebrá-lo.

  O mundo retorna.

  Outro ponto da cidade. Mais vazio. Mais longe.

  O ar aqui funciona.

  Ainda.

  Atrás deles, a corre??o n?o persegue.

  Porque n?o precisa.

  Algo foi anotado.

  O custo foi cobrado parcialmente.

  A anomalia reagiu.

  O processo persistiu.

  Em algum lugar fora do alcance sensorial, um parecer é ajustado.

  N?o encerrado.

  Adiado.

  Ribeiro cai de joelhos.

  N?o por fraqueza.

  Por falta de instru??o.

  — (…acabou?)

  Pensa.

  Noxyt n?o responde de imediato.

  Quando responde, n?o conforta.

  "N?o."

  "Só confirmou."

  Silêncio administrativo.

  A névoa se rearranja por hábito.

  E, mesmo sem entender o que quase o apagou, Ribeiro ainda ocupa espa?o.

  Isso, por enquanto, é o bastante.

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