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Capítulo 4 – Eu Escrevo o Cardápio do Big Bang

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  Capítulo 4 – Eu Escrevo o Cardápio do Big Bang

  O cardápio é a alma do restaurante.

  Antes que qualquer cliente entre, antes que a porta decida existir, antes mesmo que a fome se manifeste, o cardápio já está ali, esperando. Ele n?o é impresso, nem digital, nem esculpido em pedra. O cardápio do meu restaurante se escreve sozinho, reagindo ao estado atual do universo, ao humor do Big Bang e… a mim.

  Eu apenas confiro.

  Coloquei o cardápio sobre a bancada central. Ele parecia um livro simples, capa clara, sem imagens chamativas. Mas quando o abri, o espa?o entre as páginas se estendeu um pouco mais do que deveria. Letras surgiram lentamente, como se o próprio come?o do universo estivesse pensando em como queria ser servido naquela noite.

  Entradas do Big Bang

  Sopa Clara de Big Bang Inicial

  Leve, quase tímida. Para clientes que ainda n?o sabem se querem lembrar.

  Caldo de Big Bang em Expans?o Suave

  Aquece sem assustar. Muito pedido por viajantes do tempo cansados.

  Big Bang em Cubos de Origem

  Pequenas por??es do instante zero, servidas frias, para acalmar mentes agitadas.

  Salada Morna de Big Bang Fragmentado

  Mistura de come?o e pausa. Ideal para quem precisa respirar antes de continuar existindo.

  A case of theft: this story is not rightfully on Amazon; if you spot it, report the violation.

  Assenti. As entradas estavam equilibradas. O Big Bang n?o parecia ansioso ali.

  Pratos Principais do Big Bang

  Aqui o cardápio respirou mais fundo.

  Risotto de Big Bang Primordial

  Cremoso, denso, reconfortante. Um dos primeiros pratos que aprendi na Escola das Deusas.

  Ramen Espiral de Big Bang Galáctico

  Servido em movimento constante. Nunca igual duas vezes.

  Big Bang Assado em Baixa Entropia

  Cozido lentamente até perder o excesso de caos. Muito procurado por entidades antigas.

  Big Bang Grelhado do Primeiro Segundo

  Sabor intenso, direto, sem rodeios. N?o recomendado para indecisos.

  Big Bang Recheado com Matéria Inicial

  Um prato complexo, que exige mastiga??o atenta e silêncio.

  Ensopado de Big Bang com Expans?o Controlada

  Conforto absoluto. Faz o cliente sentir que tudo vai ficar bem… pelo menos por enquanto.

  O cardápio pausou, como se esperasse minha aprova??o. Toquei a página com a ponta dos dedos.

  — Está bom — murmurei.

  As letras brilharam em resposta.

  Acompanhamentos do Big Bang

  Arroz Branco de Big Bang Suave

  Purê de Big Bang Reduzido

  Legumes Cozidos em Vapor de Big Bang

  P?o Macio de Big Bang Fermentado

  Esses pratos quase nunca s?o comentados, mas sustentam tudo. Assim como o come?o sustenta o universo sem pedir reconhecimento.

  Sobremesas do Big Bang

  Essa parte sempre é perigosa.

  Doce de Big Bang da Singularidade

  Pequeno, intenso, infinito demais para quem n?o está preparado.

  Mousse de Big Bang Silencioso

  Leve, delicado, quase triste. Meu favorito.

  Torta Morna de Big Bang Reconstruído

  Para quem quer acreditar em recome?os.

  Sorvete de Big Bang Congelado no Tempo

  Derrete devagar. às vezes, nunca.

  Big Bang Caramelizado do Fim do Come?o

  Uma sobremesa filosófica. Nem todos entendem.

  Fechei os olhos por um instante. O cardápio estava… honesto. Nenhum prato mentia sobre o que oferecia. Isso é raro.

  Bebidas do Big Bang

  Chá Claro de Big Bang Diluído

  Café Forte de Big Bang Concentrado

  Suco Morno de Big Bang em Suspens?o

  Licor Vintage de Big Bang Ano Zero

  Algumas bebidas fazem clientes falarem demais. Outras fazem ficarem em silêncio absoluto. Ambas s?o necessárias.

  Pratos Especiais do Dia (Big Bang)

  Essa se??o muda sozinha.

  Hoje, apenas três op??es apareceram:

  Big Bang do Dia – Vers?o Contida

  Big Bang do Dia – Vers?o Emocional

  Big Bang do Dia – Vers?o Irreversível

  Suspirei.

  — Espero que ninguém pe?a o último — disse.

  O cardápio n?o respondeu. Ele nunca responde quando sabe que estou certa.

  Fechei o livro com cuidado. O cardápio se dissolveu em partículas de luz e voltou para onde sempre fica — em lugar nenhum e em todo lugar ao mesmo tempo.

  Criar um cardápio n?o é sobre variedade.

  é sobre responsabilidade.

  Cada prato de Big Bang servido é uma escolha.

  Cada escolha altera alguém.

  E alguém alterado altera o universo.

  Ajustei o avental, acendi o fog?o e esperei.

  Logo, a porta tocaria.

  Alguém teria fome.

  E eu estaria pronta para oferecer o come?o de tudo,

  organizado, nomeado

  e servido em uma tigela que n?o parece perigosa.

  Porque o Big Bang pode ser muitas coisas.

  Mas aqui,

  ele é comida.

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