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#Capítulo 10: O Pergaminho de Rá e o Vale do Vazio

  


  Capítulo 10: O Pergaminho de Rá e o Vale do Vazio

  "Corram!" O grito de Zack rasgou o silêncio opressor da pra?a central. A névoa do Vazio, antes uma amea?a distante no horizonte, agora avan?ava pelas ruas como uma maré faminta, engolindo as casas abandonadas e convergindo para eles.

  O grupo disparou em dire??o à saída do vilarejo, os ecos de seus passos abafados pela densidade crescente da névoa. Acima, o olho cósmico pulsava, sua aten??o agora uma presen?a física que pressionava suas mentes, instilando um panico primordial.

  Sombras retorcidas dan?avam na periferia de suas vis?es, e o ar ficava mais frio, mais pesado a cada instante. Quando viraram uma esquina estreita, algo se lan?ou das trevas – uma massa disforme de carne e gosma negra, com múltiplos membros irregulares e um único olho vermelho brilhante no centro. Um dos experimentos fracassados de Milos, deixado para trás como um guardi?o profano.

  "Orpheus!" gritou Zack.

  Sem hesitar, Orpheus se interp?s entre a criatura e o resto do grupo. Suas m?os brilharam com uma energia escura enquanto ele conjurava uma barreira de sombras que interceptou o ataque da aberra??o. O impacto reverberou pela rua estreita.

  "Continuem! Eu cuido disso!" ordenou Orpheus, sua voz tensa pelo esfor?o.

  Zack hesitou por um instante, mas a urgência falou mais alto. Agarrou o bra?o de K e puxou-a, com o Menino logo atrás. Correram pelas últimas ruas do vilarejo, o som da luta de Orpheus ecoando atrás deles, até que finalmente romperam os limites do assentamento amaldi?oado, mergulhando na relativa seguran?a da floresta retorcida que o cercava.

  N?o demorou muito para que Orpheus os alcan?asse, ofegante, com novas manchas escuras em suas roupas, mas ileso. "Aquilo n?o era nada," disse ele, dispensando as preocupa??es silenciosas. "Apenas um resto."

  Encontraram abrigo temporário em uma gruta rasa, escondida atrás de uma cascata de musgo doentio. O ar ali era um pouco menos carregado, embora o olhar do olho cósmico ainda parecesse penetrar a rocha.

  "Precisamos avisar Alf," disse K, recuperando o f?lego. Ela remexeu em sua bolsa e retirou um pequeno rolo de pergaminho amarelado, amarrado com um fio de prata. "Tenho metade de um Pergaminho de Rá. Alf ficou com a outra."

  "Um Pergaminho de Rá?" perguntou o Menino, curioso. "Funciona mesmo a esta distancia?"

  "é a nossa única chance," respondeu K, desenrolando cuidadosamente sua metade. O pergaminho parecia vibrar com uma energia tênue. "Qualquer coisa que eu escrever aqui, ele verá instantaneamente. E vice-versa."

  Zack aproximou-se, a urgência gravada em seu rosto. "Escreva," ordenou ele, a voz baixa e rápida. "Alf, perigo iminente. Milos e o Rei est?o por trás disso. Est?o usando um ritual de drenagem no Bairro Baixo, como no vilarejo..." Ele fez uma pausa, a mandíbula tensa. "Diga a ele para assumir a defesa. E para procurar o ca?ador Ygon. Diga a Ygon que ele me deve. Se sobrevivermos a isso, ele terá sua revanche."

  K come?ou a escrever com um estilete fino que produzia uma tinta luminosa no pergaminho. Mas suas m?os pararam ao chegar ao nome de Ygon.

  "Ygon?" ela questionou, virando-se para Zack, a desaprova??o clara em seus olhos vermelhos. "Zack, ele é instável! Um louco! N?o podemos confiar nele!"

  "N?o temos escolha, K," interveio Orpheus, sua voz grave cortando a tens?o. "Alf n?o pode defender o Bairro sozinho contra o que quer que Milos tenha preparado. Precisamos de toda a for?a disponível, mesmo a de Ygon." Contudo, uma sombra de profunda preocupa??o cruzou o rosto de Orpheus ao pronunciar o nome.

  "Mas por que ele te deve, Zack?" perguntou o Menino, que observava a troca com aten??o. "E por que ele iria querer uma revanche?"

  Antes que Zack pudesse responder, o Menino continuou, seus olhos brilhando com a excita??o de uma história conhecida. "Eu ouvi sobre a luta de vocês! Foi incrível! Dizem que aconteceu há muitos anos, bem longe daqui, num lugar que nem pertencia a nenhum reino. Vocês dois lutaram por dias, e a energia foi tanta, tanta, que mudou o lugar para sempre!"

  Zack e Orpheus trocaram um olhar carregado de memórias sombrias.

  "é por isso que chamam aquele lugar de 'Vale do Vazio' agora," continuou o Menino, alheio à tens?o dos adultos. "Ninguém vai lá. Dizem que a energia da luta de vocês atraiu monstros terríveis, de nível S! Ygon deve ser muito forte para ter lutado assim com você, Zack."

  "Ele é," confirmou Zack, a voz desprovida de emo??o. "E perigoso. Mas ele cumpre suas dívidas." Ele olhou para K. "Escreva."

  Com um suspiro resignado, K completou a mensagem. Observaram em silêncio enquanto a tinta brilhante desaparecia lentamente, sinalizando que a mensagem havia sido transmitida. Momentos depois, novas linhas luminosas come?aram a se formar no pergaminho.

  "Entendido. Situa??o aqui é... complicada. Ygon localizado. Mensagem entregue. Ele riu. Cuidem-se. Alf."

  A resposta curta e a men??o à risada de Ygon n?o trouxeram nenhum alívio, apenas aumentaram a sensa??o de apreens?o.

  "Vamos," disse Zack, guardando o pergaminho. "N?o podemos perder mais tempo."

  Retomaram a jornada, agora uma corrida desesperada contra o tempo e contra a própria realidade que parecia se desfazer ao redor deles. A floresta era um labirinto de árvores retorcidas e sombras que se moviam. O ch?o sob seus pés parecia pulsar levemente, como se a corrup??o do Vazio estivesse se infiltrando na própria terra. O olho cósmico continuava sua vigília implacável, um lembrete constante da amea?a maior que pairava sobre eles – Skull.

  A exaust?o come?ou a cobrar seu pre?o. Os diálogos se tornaram escassos, limitados a avisos curtos ou ordens. A tens?o sobre Ygon pairava no ar, n?o dita, mas sentida por todos. Orpheus mantinha-se mais alerta do que nunca, seus olhos varrendo constantemente os arredores, enquanto K lan?ava olhares preocupados para Zack, cuja express?o era uma máscara impenetrável.

  Viajaram por horas que pareceram dias, atravessando riachos de água escura e pantanos que borbulhavam com gases fétidos. Em alguns pontos, viram animais deformados, suas peles cobertas de pústulas brilhantes ou com membros extras se contorcendo de forma antinatural – sinais de que a influência corruptora de Milos, ou do próprio Vazio despertado, estava se espalhando.

  Finalmente, após uma subida árdua por uma encosta rochosa, alcan?aram um cume que oferecia uma vis?o desimpedida do horizonte distante.

  Lá estava. In Medias Res.

  A cidade se erguia contra o céu crepuscular, uma silhueta de torres e muralhas familiares. O pináculo roxo e negro do castelo real perfurava a névoa como uma agulha. Podiam distinguir o brilho fraco e pulsante da barreira protetora que envolvia a cidade, uma cúpula de energia quase invisível que lutava para manter a névoa invasora afastada.

  Um suspiro coletivo de alívio escapou do grupo. Estavam perto. O lar estava à vista.

  Mas o alívio foi rapidamente substituído por uma apreens?o gelada. A névoa do Vazio pressionava a barreira por todos os lados, mais densa e agressiva do que jamais haviam visto. E daquela distancia, n?o podiam saber o que os esperava dentro das muralhas. O ritual de Milos estaria completo? Alf e Ygon teriam conseguido resistir? Ou estariam caminhando para uma cidade já consumida pelo horror?

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  Observaram In Medias Res em silêncio, a cidade distante representando simultaneamente a última esperan?a e o medo mais profundo. A jornada estava longe de terminar. O verdadeiro teste, o verdadeiro horror, talvez estivesse apenas come?ando.

  Ecos no Esgoto e a Dívida de Orpheus

  A proximidade de In Medias Res era uma faca de dois gumes. A familiaridade das muralhas distantes, mesmo sob o cerco da névoa e o olhar vigilante do olho cósmico, trazia um alívio tênue, uma sensa??o de retorno. Mas também agitava algo profundo e perturbador em Zack.

  Enquanto se esgueiravam por uma ravina coberta de vegeta??o morta, buscando um ponto cego na linha de vis?o das torres de vigia distantes, a imagem o atingiu com a for?a de um golpe físico.

  O ch?o de madeira áspera sob suas costas. O calor suave de um corpo pressionado contra o seu. Cabelos dourados caindo como uma cascata sobre seu rosto, e olhos, também dourados, que o fitavam com uma ternura que parecia capaz de derreter o próprio Vazio. M?os delicadas acariciavam seu rosto, seus cabelos. Paz. Uma paz que ele mal se lembrava de sentir.

  Mas a imagem tremulou, como um reflexo na água perturbada. O toque suave tornou-se áspero. Os olhos dourados se estreitaram, a ternura substituída por uma repulsa fria, uma raiva que queimava. A boca se abriu, e uma única palavra escapou, um sussurro inicialmente, depois crescendo em um grito que ecoava em sua alma: "N?o... N?O... N???OOO!"

  Zack cambaleou, levando as m?os à cabe?a como se para conter a explos?o dentro de seu cranio. O grito silencioso da memória reverberou em seu ser, deixando um rastro de angústia e confus?o.

  "Zack? O que foi?" K estava ao seu lado instantaneamente, a preocupa??o gravada em seus tra?os.

  Ele balan?ou a cabe?a, incapaz de articular a torrente de emo??es conflitantes. "Nada. Apenas... vamos por aqui." Sua voz estava rouca, distante.

  Ignorando o caminho mais óbvio em dire??o às muralhas visíveis, ele virou abruptamente para uma se??o da ravina que parecia terminar em um deslizamento de terra e rochas soltas. Orpheus e K trocaram um olhar confuso, mas o seguiram sem questionar, o Menino logo atrás.

  Com uma for?a que parecia nascida do desespero, Zack come?ou a remover as rochas maiores, revelando uma abertura escura e baixa, escondida sob uma saliência natural. O cheiro que emanava de dentro era antigo, úmido e carregado com o odor inconfundível de esgoto.

  "Um túnel?" perguntou Orpheus, surpreso. "Eu n?o sabia que existia uma passagem aqui."

  "Poucos sabem," respondeu Zack, sua voz ainda tensa. "Liga a velha Estrada Vermelha aos níveis inferiores. é o caminho mais rápido para o Bairro Baixo."

  Sem esperar, ele se abaixou e entrou na escurid?o. O grupo o seguiu, mergulhando no ventre esquecido da cidade.

  A jornada pelo túnel era claustrofóbica. O ar era pesado, fétido, e o único som era o gotejar constante de água suja e o eco de seus próprios passos cautelosos. A escurid?o era quase total, quebrada apenas pela luz fraca que K conseguia conjurar em sua m?o.

  Foi K quem notou primeiro a mudan?a em Zack. Ele caminhava na frente, rígido, seus ombros tensos. A luz bruxuleante revelava seus olhos, agora po?os de escurid?o absoluta, fixos em algum ponto invisível à frente. Mas n?o era apenas sua postura. Uma aura sutil, mas inegavelmente sinistra, come?ou a envolvê-lo. Era fria, carregada com uma raiva antiga e uma dor t?o profunda que parecia ter uma presen?a física. E havia um cheiro... um odor fraco, mas persistente, de sangue seco e da podrid?o característica do Vazio, emanando dele.

  K estremeceu involuntariamente, aproximando-se um pouco mais de Orpheus. O Menino também pareceu sentir, seus olhos arregalados fixos nas costas de Zack.

  Orpheus, caminhando logo atrás de Zack, observava-o com uma intensidade silenciosa. Ele já tinha visto Zack assim antes, em momentos de extrema press?o ou quando confrontado com ecos de seu passado nebuloso. Era como se uma vers?o mais sombria, mais primitiva de Zack estivesse lutando para vir à superfície.

  Finalmente, após o que pareceu uma eternidade, avistaram uma luz fraca à frente. Uma grade de metal enferrujada marcava a saída do túnel principal para um canal de esgoto mais amplo, mas seco. Além da grade, podiam ver as paredes de tijolos familiares dos níveis inferiores do Bairro Baixo.

  Zack for?ou a grade com um rangido metálico e eles emergiram em um corredor subterraneo. O ar ainda era viciado, mas reconhecível. Estavam em casa. Ou no que restava dela.

  Mas o que encontraram foi... silêncio. Um silêncio absoluto e desconcertante. Nenhuma correria, nenhum grito, nenhum sinal da batalha ou do ritual que esperavam encontrar. Apenas a quietude opressora de um lugar abandonado.

  Foi essa calma antinatural que pareceu quebrar algo dentro de Zack. No meio do corredor úmido, sob a luz fraca que se filtrava de uma grade no teto, ele parou. Seu corpo come?ou a tremer.

  Ent?o, ele caiu de joelhos. Um solu?o escapou de seus lábios, um som cru e carregado de uma dor excruciante. Ele ergueu o rosto para a abertura no teto, as lágrimas escorrendo livremente por suas bochechas pálidas, misturando-se com a sujeira e o suor.

  "Perd?o..." ele engasgou, a voz quebrada. "Eu sinto muito... Eu fiz algo... algo terrível... Eu sei que fiz... Me perdoe... Por favor..."

  Ele n?o parecia dirigir as palavras a ninguém em particular, apenas ao vazio, à escurid?o, a uma culpa sem nome que o consumia por dentro. Os solu?os sacudiam seu corpo, a vis?o de Zack, o ca?ador implacável, o sobrevivente endurecido, desabando em pura agonia era chocante, quase irreal.

  K correu para ele, ajoelhando-se ao seu lado e envolvendo-o em um abra?o apertado, sem se importar com a sujeira ou a aura sombria que ainda o envolvia. O Menino hesitou por um momento, depois se juntou a K, suas m?os pequenas pousando nas costas de Zack em um gesto de conforto silencioso.

  Orpheus permaneceu de pé, observando a cena com uma express?o indecifrável. Havia dor em seus olhos, mas também uma compreens?o antiga. Ele sabia, talvez melhor do que ninguém, dos dem?nios que assombravam Zack.

  "Ele carrega um fardo pesado," murmurou Orpheus, mais para si mesmo do que para os outros. Vendo os olhares confusos de K e do Menino, ele suspirou. Talvez fosse a hora. Talvez Zack precisasse que alguém lembrasse, n?o apenas a ele, mas a si mesmo, que havia luz naquela escurid?o.

  "Vocês se perguntam por que eu o sigo," come?ou Orpheus, sua voz baixa e grave ecoando no corredor silencioso. "Por que eu devo minha vida a ele."

  Ele se encostou na parede úmida, seus olhos perdidos em memórias distantes. "Eu tinha doze anos. Era um escravo no Reino de Luna, propriedade pessoal do Rei Violeta Don. Luna era famosa por suas 'Rinhas de Escravos'. Nobres apostavam enquanto nós lutávamos até a morte para entretenimento deles."

  Seu rosto se contraiu levemente. "Eu era inútil. Fraco. Só sobrevivia por causa de Afonso. Ele era meu parceiro de dupla, tinha apenas quinze anos, mas era forte, habilidoso. Ele me protegia, me ensinava, me tratava como um irm?o mais novo. Ganhávamos por causa dele."

  Uma sombra profunda cruzou seus olhos. "Mas a for?a de Afonso atraiu a aten??o errada. A Rainha... ela o desejava. E o Rei Don, doente e depravado, a for?ava a assistir enquanto Afonso era obrigado a... satisfazê-la. Afonso odiava aquilo, mas sabia que se recusasse, o Rei me colocaria em seu lugar."

  Orpheus engoliu em seco. "O segredo vazou. A popula??o come?ou a sussurrar. Pressionado, o Rei Don silenciou a única testemunha que importava. Ele matou Afonso. Brutalmente. Disse que foi uma tentativa de fuga."

  "Afonso... ele tinha um plano," continuou Orpheus. "Ele estava em contato com um mercenário, um ca?ador conhecido apenas como 'Olhos Negros'. O acordo era simples: Afonso entregaria um pergaminho antigo e valioso que pertencera aos ancestrais do Rei, e o ca?ador o ajudaria a fugir. Comigo."

  "Mas Afonso morreu antes que o acordo pudesse ser cumprido. O ca?ador n?o tinha mais nada a ganhar. Ele poderia ter desaparecido. Ninguém o culparia."

  "No dia seguinte à morte de Afonso, fui escalado para lutar sozinho na arena principal. Era uma senten?a de morte. Eu estava pronto para morrer. Mas ent?o... ele apareceu."

  Os olhos de Orpheus encontraram os de K e do Menino. "Zack. Ele entrou na arena, n?o como um espectador, mas como uma tempestade. Sozinho. Ele massacrou todos. Os guardas, os outros escravos lutadores que se opuseram, os nobres em seus camarotes, os ministros, os generais... todos que lucravam com nosso sofrimento. O sangue correu como vinho naquele dia."

  "Ele n?o parou por aí. Ele abriu as celas, libertou cada escravo. Usou os recursos que tomou dos nobres mortos para nos dar dinheiro, comida, uma chance de recome?ar. E ele cuidou de mim. Me alimentou, me protegeu, me treinou por seis anos, até que eu pudesse me defender. Ele me deu uma vida."

  "Eu nunca perguntei por quê," admitiu Orpheus. "Nunca precisei. Eu via a dor nele, mesmo naquela época. Ouvia os gritos abafados à noite, as vezes em que falava sozinho, lutando contra algo que eu n?o podia ver. Mas eu sabia que, apesar de tudo, havia um bom homem ali dentro. Um homem que sangrava pelos outros."

  "Eu fui embora quando fiz dezoito anos. N?o porque queria deixá-lo, mas porque entendi que minha dívida n?o era ficar ao seu lado. Era fazer pelos outros o que ele fez por mim. Salvar aqueles que n?o podiam se salvar."

  Ele terminou sua história, e o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelos solu?os de Zack, que agora diminuíam, transformando-se em uma respira??o trêmula e exausta.

  K e o Menino olhavam para Orpheus, depois para Zack, com uma nova compreens?o. A complexidade de Zack, sua escurid?o e sua luz, parecia um pouco menos impenetrável agora.

  Zack lentamente se levantou, apoiado por K. Seu rosto estava marcado pelas lágrimas, mas a agonia crua havia sido substituída por uma exaust?o profunda, quase letárgica. Ele olhou ao redor, para o corredor silencioso do Bairro Baixo.

  "Onde... onde eles est?o?" murmurou ele, a voz fraca. "Alf? Ygon? Por que está t?o quieto?"

  A pergunta pairou no ar, carregada de uma tens?o renovada. A calma era errada. O silêncio era um grito silencioso de que algo terrível havia acontecido, ou estava prestes a acontecer.

  Estavam no cora??o do perigo, mas o inimigo ainda n?o havia se mostrado. E essa espera, essa quietude antes da tempestade, era talvez mais assustadora do que qualquer batalha.

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