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Special PINK Chapter 2 — The Rose Within

  A Floresta da Bruma respirava. A primeira coisa que Rose notou foi o cheiro: umidade fria, musgo amassado, ferro velho escondido sob raízes grossas. A névoa parecia erguer-se da terra, como se a floresta fosse um animal enorme e cansado. O som era abafado — sem tambores, sem vozes — apenas folhas ro?ando, água pingando em algum lugar e o estalo ocasional de galhos cedendo sob o peso do tempo.

  Stingara caminhou com a aten??o cuidadosa de alguém que sabe que a luz nem sempre vence. Sua aura solar era baixa, sintonizada para aquecer sem se anunciar; subia e descia como uma lareira inteligente. O aroma que emanava dela era algo entre cítrico e pedra aquecida, um calor que n?o sufocava — reconfortava.

  Rose parou diante de uma árvore de cinza, com veias metálicas correndo por ela como se a floresta tivesse sangue de ferro.

  "Ferro vivo", murmurou ela, estreitando os olhos azul-metálicos. "Sem corte, sem furo. Só há um jeito."

  Stingara cruzou os bra?os e inspirou. O ar ao redor de Rose se moveu; o manto deixou de ser um esconderijo e se tornou parte da cena. A guerreira especial o chicote — o cabo negro refletiu um fio de luz pálido, as inscri??es prateadas pulsando como se respirassem mana. Rose passou os dedos pelo metal e a arma despertou com uma sugest?o, quase o ronronar de uma lamina.

  “Eu sempre quis ver isso de perto”, admitiu Stingara, em voz baixa e sem ironia.

  Rose gentil, tímida, mas o sorriso foi apenas um prelúdio para o que se agita. Sua postura mudou: pés firmes no ch?o, coluna reta, bra?o formando um amplo semicírculo enquanto a outra m?o o segurava. O chicote cortava o ar. O som cortava a névoa como um trov?o suave: um tra?o, um estalo, e o ferro vivo tremeu.

  "Linkdoor", Rose se autodenominou ao ativar uma técnica. "Corte de Rosas".

  O chicote se inscreveu no tronco com uma gra?a oblíqua, a ponta penetrando na veia metálica. Rosa afastada; todo o seu corpo funcionava como uma máquina perfeitamente calibrada. O estalo soou novamente, mais alto. O cheiro que levantou era frio e doce, como ferro recém-aberto misturado com seiva antiga.

  Stingara deu um passo à frente sem perceber. Seus olhos brilhavam.

  "Você sempre se escondeu", disse ela, com surpresa na voz. "Mas você é mesmo t?o feroz assim?"

  Rose soltou o tronco; o chicote zumbiu por um segundo antes de parar. Sua respira??o era controlada, mas um rubor subia ao seu rosto. Ela deixou a capa para cobrir discretamente a borda de uma cicatriz no ombro.

  "Feroz é o que você se torna quando dói", respondeu ela. "Se eu tivesse sua pele impecável, sua aura que repele doen?as...", seus olhos percorreram Stingara com um fascínio que era quase uma carícia, "talvez eu n?o tive que lutar tanto."

  A névoa se adensou, guardando a conversa como se guardasse um segredo. Stingara respirou fundo; N?o era o suspiro de uma princesa, mas a respira??o de alguém que ostenta um título pesado. Por um instante, n?o houve cortes, nem reis, nem festival — apenas duas mulheres na floresta, cada uma carregando uma raz?o agu?ada.

  "Você acha que perfei??o é liberdade?", disse Stingara lentamente. "é só mais uma pris?o. Fui moldado para nunca falhar... e quando falho, o mundo inteiro vem assistir."

  Rose sustentou o olhar dela, e a timidez se transformou em uma gentileza constante.

  "Ent?o acenda a lampada, mesmo quando ninguém estiver olhando", disse ela com um pequeno sorriso. "A Rosa que procuro pode n?o existir. Mas nós existimos."

  This text was taken from Royal Road. Help the author by reading the original version there.

  O caminho à frente se estreitava; árvores com casca translúcida exibiam raízes pulsando como veias. O ch?o cedeu em alguns pontos, revelando água negra e parada. Um sussurro percorreu as folhas; minúsculas criaturas de mana se esconderam quando Rose estalou o chicote novamente — n?o para atacar, mas para cortar uma massa emaranhada de galhos metálicos que bloqueavam a trilha. A fenda estava limpa, e o caminho se abriu como uma cortina.

  As horas se dissiparam na névoa. Encontraram flores pálidas, folhas que selavam cortes, cascas que aliviavam febres, mas nada de Rosa Mística. Numa clareira, finalmente, Rosa parou. Seu peito subia e descia com controle, mas seus olhos tinham uma luz diferente — n?o de frustra??o, mas de compreens?o.

  "Nada", disse ela. A palavra saiu leve, sem drama.

  Stingara se aproximou, e seu calor afastou a névoa como veludo. Os tambores do festival estavam longe demais para serem ouvidos, mas o silêncio ali tinha sua própria música.

  Rose guardou o chicote cuidadosamente, como se estivesse colocando um animal de volta em sua toca. Ent?o, ajoelhou-se. A capa escorregou, revelando cicatrizes em seu bra?o, marcas antigas e novas, linhas de batalhas que ninguém aplaude. Ela n?o fez nenhum movimento para cobri-las — deixou-as respirar.

  "Talvez a flor nunca tenha existido", disse ela, sorrindo, o azul metálico dos seus olhos como um céu rarefeito. "Mas a esperan?a... essa sim cresce em nós."

  Stingara congelou por um longo momento. Sua aura se aqueceu, n?o para brilhar, mas para acalmar. Ela também se ajoelhou, e a perfei??o se sujou de terra, e ninguém morreu por causa disso.

  "Você n?o precisa ser perfeita, Rose", disse ela, com a voz sem rispidez ou controle. "Você só precisa continuar dan?ando."

  Rose riu, um som curto e doce que se intensificou na névoa. O cheiro de musgo se intensificou; um pássaro que ninguém viu cantou. Ela ajustou a capa, desta vez n?o para se esconder — apenas para ficar confortável.

  "Vou continuar", respondeu ela. "Mas primeiro... vou cuidar de mim."

  O caminho de volta parecia diferente; menos tenso, mais honesto. Quando cruzaram uma ponte de raízes, um bando de pequenos animais rosnou; Rose estalou o chicote e Stingara ergueu a m?o. Luz e lamina cortaram o ar em uma coreografia que parecia ensaiada: o chicote cortou, a aura silenciou e nenhuma criatura morreu — eles simplesmente recuaram, demonstrando respeito.

  Na orla da floresta, quando a luz rosa do festival tocou a névoa e fundiu o cinza em um abra?o caloroso, Rosa parou e se virou para Stingara. O vento jogou seus cabelos para trás, revelando seu rosto inteiro.

  "Vou fazer a cirurgia arcaica", disse ela simplesmente. "Vou remover parte do que me corrói."

  Stingara assentiu e, por um momento, a máscara da princesa deslizou como se alguém estivesse desfazendo uma armadura.

  "Esperarei do lado de fora do quarto", prometeu ela. "E se você quiser... ficarei com você dentro da vida."

  Rose corou novamente, mas n?o olhou para baixo. Seus olhos azuis metálicos brilhavam como ferro limpo sob a luz do sol.

  "Fique", ela pediu, simplesmente.

  Dias depois, no sal?o de cura ancestral, o ar cheirava a ervas queimadas e metal esterilizado por mana. A cirurgia arcaica n?o tinha o brilho dos curandeiros modernos; era um ritual rigoroso e preciso, com canticos graves e m?os firmes. Rose entrou sem seu manto; suas cicatrizes eram mapas de batalhas, e n?o havia vergonha nelas. Stingara estava ao seu lado n?o como princesa, mas como presen?a; ela segurou a m?o de Rose antes do primeiro corte e n?o a soltou até o ponto final.

  Quando Rose acordou, a dor estava controlada e controlada. Ela respirou. A primeira coisa que senti foi o aroma suave de mel e pedra aquecida.

  “Funcionou”, ela disse, e o sorriso ficou completo.

  Stingara respondeu com um sorriso curto e sincero — do tipo que ela n?o dava em jantares.

  "Você está mais forte agora", disse ela. "N?o porque tenha menos cicatrizes... mas porque escolheu mostrá-las."

  No festival seguinte, Rose subiu ao pátio com o chicote na cintura e o manto aberto, como cicatrizes expostas como medalhas de alguém que n?o pediu permiss?o para sobreviver. As patrulheiras golpearam seus lan?amentos, os tambores recome?aram e as pessoas ergueram rosas bem alto. O ar cheirava a mel, ferro limpo e flores frescas.

  Rose gentilmente a voz, clara e firme:

  Um dia, nós venceremos. Todos nós. Uma flor que cura pode nunca ter existido. Mas nós existimos — e isso basta.

  O chicote refletiu a luz. O calor está contido. E a Rosa dentro dela contínua se abrindo, pétala por pétala, sem pedir nada em troca.

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