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# Capítulo 26: Crise Existencial

  # Capítulo 26: Crise Existencial

  O silêncio da medita??o se desfez, n?o com um estalo, mas com um sussurro gélido que se infiltrou na mente de Zack. Ele abriu os olhos, o peso das memórias recém-desenterradas o oprimindo. Eram lembran?as duras, fragmentos de um passado que ele acreditava ter enterrado sob camadas de brutalidade e esquecimento. O mais estranho, contudo, n?o era a dor que elas traziam, mas a sensa??o de que haviam desaparecido de sua mente por um tempo, apenas para ressurgir agora, em um momento t?o crítico. Uma série de memórias, há muito adormecidas, estavam voltando, uma avalanche de rostos, vozes e sentimentos que ele n?o tinha tempo para processar. A urgência da situa??o o impedia de mergulhar mais fundo naquele estranho fen?meno.

  Com um salto ágil, Zack se levantou, seus músculos tensos e prontos para a a??o. A cidade, antes um labirinto de sombras e perigos ocultos, agora pulsava com uma aura forte e inconfundível. Era a fonte do ritual, o epicentro da invoca??o de Skull. Ele precisava chegar lá, e rápido. Seus olhos, antes focados na introspec??o, agora varriam o horizonte, buscando o caminho mais direto para o cora??o da escurid?o que se alastrava.

  Enquanto corria pelos telhados, a vis?o que se desenrolava abaixo era ao mesmo tempo bela e aterrorizante. O olho que pairava sobre a lua vermelha havia se intensificado, seu brilho carmesim agora quase ofuscante. O céu, antes um manto negro, parecia se curvar, distorcido pela energia que emanava da cidade. Uma energia espiritual transbordava de cada rua, cada beco, cada constru??o. Mas o que mais chocou Zack n?o foi a intensidade do fen?meno, mas a rea??o dos cidad?os. Eles n?o estavam desesperados, n?o havia panico. Pelo contrário, uma estranha calma, quase um êxtase religioso, pairava sobre eles.

  Milhares de pessoas estavam ajoelhadas nas ruas, suas cabe?as curvadas em devo??o, orando para a Vis?o. Pelas janelas das casas, famílias inteiras se uniam em preces fervorosas. O barulho forte das vozes, um coro de milhares de pessoas clamando pelo seu Deus, ecoava pela cidade, um som que era ao mesmo tempo hipnotizante e perturbador. O olho que tudo vê, presente e forte em todo lugar, estava emergindo, transformando a lua e o céu em seu domínio pessoal. Gritos de felicidade, prazer e satisfa??o eram ouvidos, uma sinfonia macabra de devo??o cega. O desespero de Zack era nítido, agora ele entendia a verdadeira escala da situa??o. N?o eram os idosos, nem o casal jovem. Era a cidade inteira. A cidade estava fazendo o pacto.

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  Zack parou abruptamente no telhado de uma casa, a vis?o à sua frente solidificando seu desespero. Ele pegou um pergaminho de Rá, suas m?os tremendo levemente. "Orpheus, embaixo da cama de Lyra tem um por?o, entre nele e leve todos. é uma ordem direta, se n?o fizer isso todos v?o entrar em loucura!" A mensagem foi escrita com uma urgência que ele raramente demonstrava. Seus olhos, antes cheios de uma fúria controlada, agora n?o tinham um pingo de esperan?a. Ele já sabia que tudo havia dado errado. A resposta de Orpheus veio quase instantaneamente, um simples e resignado "Ok, mestre."

  Do alto da sacada, Zack notou que a cidade estava emitindo uma energia suficiente para invocar algo de ranking Drag?o. Um sorriso amargo e doentio se formou em seus lábios. "Agora faz todo sentido... O motivo do Bebê estar nesse fim de mundo, veio aqui n?o por ser uma cidade e continente isolado." Ele riu, uma risada sem humor, cheia de ironia. "A cidade contratou os idosos e o casal, a verdade é que a cidade se preparou pra esse ritual e que no final Tobi estava apenas protegendo o mundo.... bom, eu acabei estragando tudo."

  O céu se tornou algo deslumbrante, cada estrela era vista a olho nu, forte e brilhante como um sol, reunidas em harmonia, formando um olho gigante que observava a terra. O apogeu da luz vermelha da lua era forte como sangue, pulsando com uma vida sinistra. Cada pessoa na cidade foi atingida e purificada, como se sua energia fosse sugada, drenada para um propósito maior e mais sombrio. Na pra?a principal, milhares de pessoas estavam ajoelhadas, tantas que era impossível contar. E lá, no centro, havia pessoas crucificadas. A cena era doentia, nojenta e repulsiva. Corpos torturados e sem roupas, pessoas de outros continentes subjugadas como animais. A cidade, enfim, mostrava seu desejo doente. Havia 14 pessoas sendo crucificadas, soldados da cidade vermelha atirando flechas nelas, facas arremessadas e fogo jogado. Um ritual com detalhes precisos para um clímax final. Entre tantos soldados e estrangeiros crucificados, havia um ber?o branco em cima de uma pedra, e lá, com certeza, estava o bebê, recebendo a energia de toda a cidade, uma energia ruim passada a um bebê, recebendo o sangue de inocentes.

  "MERDA!!!" Zack gritou, o desespero rasgando sua garganta. "Porra!! O que fa?o, caralho!!" Ele sabia que aquilo era o fim. De repente, uma voz falhou ao seu lado, carregada de um horror incrédulo. "Meu Deus... isso é um ritual Skull... Zack, nós vamos morrer." Zack deu um salto para trás, assustado. "Filho da puta! Que susto do caralho..." Tobi, sem que Zack percebesse, havia aparecido ao seu lado, com sua calma habitual, mas com um brilho perturbador nos olhos.

  "Foi mal, irm?o. Eu tive que fazer análise na área, reuni muitas informa??es úteis enquanto você brincava, eu estava fazendo trabalho duro." Tobi falou com bastante ironia e um sorriso de escárnio. Zack o encarou, a raiva borbulhando. "Acho que sou idiota, tu esperou eu matar os idosos para aparecer, seu frouxo!" Tobi encolheu os ombros. "Eu n?o bato em idoso, n?o sou desrespeitoso com idosos igual você, Zack..." Por alguns segundos, eles se encararam, a tens?o palpável, antes de explodirem em risadas desesperadas. Um momento de alívio em meio ao caos, uma bolha de normalidade em um mundo que desmoronava. Zack se aproximou de Tobi, colocando a m?o em seu ombro. Tobi o empurrou, rindo. "Sai fora, Zack, n?o gosto de homem." Zack riu até chorar da piada de Tobi, e Tobi riu junto até cair no ch?o. "Nossa... que saudade disso, por isso a gente foi proibido de fazer miss?o junto," Zack disse, lembrando do passado. "Nanashi, amava esses momentos..." Tobi respondeu, seu sorriso desaparecendo enquanto olhava para o ch?o. "Sinto falta dele, Zack, na verdade, eu sinto falta daquela época."

  This tale has been unlawfully lifted from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere.

  Zack se agachou, seu olhar mudando completamente ao ouvir o nome de Nanashi. "Posso te falar algo?" Zack perguntou a Tobi. "Sim," Tobi respondeu em silêncio. "Após a miss?o da casa, eu fui na árvore cerejeira..." a voz calma e devagar de Zack preencheu o ar. "Por que n?o deu certo?" Tobi respondeu, olhando nos olhos de Zack, seus próprios olhos vazios, sem luz, sem brilho. "Nanashi.... ele apareceu pra mim." Zack respondeu devagar. "Hmmmm, ele é sempre assim." Tobi respondeu sorrindo, enquanto Zack balan?ava a cabe?a, sorrindo também. "Obrigado, Tobi." Zack disse, feliz pela conversa, um breve respiro antes do inferno que os aguardava.

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  Tobi se levantou, a leveza do momento anterior se dissipando como fuma?a. Seus olhos, antes vazios, agora carregavam um peso indizível. Ele olhou para a cidade em transe, para o olho pulsante no céu, e respirou fundo. "Bom... Zack, a cidade está planejando isso há mais de 100 anos," ele come?ou, sua voz séria, desprovida de qualquer ironia. "Eles tinham certeza que iria nascer um bebê uns 30 anos atrás, mas erraram e isso afetou muito a cidade. Ent?o nasceu esse bebê recentemente, foi inesperado até para eles." Zack ouvia atentamente, sua boca imóvel, seus olhos fixos em Tobi, o mundo ao redor parecendo ter parado. A gravidade das palavras de Tobi era um soco no est?mago.

  Tobi continuou, a narrativa se desenrolando com uma frieza perturbadora. "O país Poliedro sempre soube do plano da Cidade Vermelha, gra?as ao General Silva. O tempo passou e atualmente eu trabalho no seu lugar fazendo miss?es em outros países. Eu estava em Elthen, o país mais pobre e fodido de todos, bebia com putas e estava lá apenas de passagem, Zack." Tobi fez uma pausa, seus olhos se arregalando ligeiramente ao se virar para Zack. "Eu vi! Zack, se eu n?o tivesse lá n?o iria acreditar, parece que tudo tem um plano divino ou alguma coincidência bizarra, eu vi Elthen ser engolida por uma energia dourada que cobriu todo aquele país imundo, ninguém percebeu, parecia que só eu notei." A voz de Tobi, antes controlada, agora carregava um tom de horror mal contido.

  Zack estava hipnotizado, sua mente lutando para processar a imagem de um país inteiro sendo consumido por uma energia dourada, invisível para todos, exceto para Tobi. "Eu vi as putas que deu pra mim se matar, come?ar a esfaquear amigas e clientes, pessoas na rua atacam umas as outras e vi crian?as matar irm?os e pais. Eu andei até a fonte mais forte de energia, era o núcleo do problema e cada passo deixavam pessoas loucas, andei e vi ricos se enforcarem e pobres rir loucamente era uma cidade caída, cheguei em uma janela e lá no meio de pedras, madeiras e pai comendo carne da m?e, havia uma crian?a de olhos dourados dormindo em silêncio t?o bonito, era um anjo, tentei aproximar mas dois idosos apareceram e conseguiram fugir rapidamente e o lugar explodiam t?o forte que você conseguiram ver mesmo estando a 20 km... eu escapei e agora estou aqui, Zack, ao seu lado." A voz de Tobi era um sussurro rouco, carregado com o peso de um horror indizível. Ele havia testemunhado o inferno na terra, a completa desintegra??o da sanidade humana, e a imagem do bebê de olhos dourados, um anjo em meio ao caos, era a cereja do bolo de sua crise existencial. Zack n?o sabia o que dizer, seu rosto pálido, sua mente se recusando a aceitar a magnitude da deprava??o que Tobi havia descrito. Mas, no fundo, ele sabia o que tinha que fazer, mesmo que o chamassem de monstro. N?o havia outra escolha.

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  O silêncio pairou entre eles, pesado com as revela??es e o horror que Tobi acabara de descrever. Zack, com o rosto ainda pálido, sentiu um nó apertar em seu est?mago. Sua mente, que antes buscava solu??es e estratégias, agora se recusava a processar a magnitude da deprava??o que Tobi havia testemunhado. A imagem do bebê de olhos dourados, um anjo em meio ao caos, e a certeza de que a cidade inteira estava envolvida em um ritual para invocar Skull, solidificaram uma terrível verdade. Ele sabia o que tinha que fazer, mesmo que o chamassem de monstro. N?o havia outra escolha.

  Com um olhar sombrio, Zack se virou para Tobi, que ainda estava com os olhos fixos na pra?a principal. A crise existencial de ambos atingia seu ápice. Juntos, eles olharam para o ber?o branco, que repousava sobre a pedra no meio da multid?o, o bebê de olhos dourados dormindo pacificamente, alheio ao horror que o cercava e à energia doentia que o consumia. A vis?o era um soco no est?mago, uma imagem perturbadora que selava o destino de muitos. O capítulo termina com Zack e Tobi observando o ber?o, a terrível decis?o que Zack terá que tomar pairando no ar, um presságio sombrio de um clímax ainda mais chocante e brutal que está por vir.

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