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#Capítulo 28: Tobi deve morrer. (16+)

  #Capítulo 28: Tobi deve morrer.

  A pra?a da Cidade Vermelha era um palco de loucura. A multid?o, de joelhos, entoava uma can??o que parecia rasgar o próprio tecido da realidade. Seus olhos, vazios e sem vida, estavam fixos em Zack, mas suas vozes, unidas em um coro macabro, pediam outro nome: Caveira. O som era uma sinfonia sufocante, uma onda de adora??o profana que ressoava nos ossos de Zack, fazendo seus órg?os vibrarem em uma harmonia nauseante.

  "Zack!" cantaram, suas vozes um trov?o que sacudiu a pra?a. "Como é viver uma vida de cativeiro? Sorrir e chorar sem saber o motivo? Nós te adoramos, vivemos para você. OOH OOH OOH Grande Messias, OOH OOH Grande Senhor."

  A música o envolvia, uma carícia venenosa que prometia liberdade. E, por um instante aterrorizante, Zack se sentiu livre. Uma estranha leveza tomou conta de seu corpo, uma sensa??o de paz que o encheu de um profundo medo. Era uma falsa liberdade, uma isca para sua alma, e ele lutava contra isso, sua mente se rebelando contra a sedu??o daquele conforto artificial.

  O cheiro de sangue, amora e cereja se intensificou, um perfume doce e nauseante que anunciava a chegada do mestre do ritual. A multid?o se abriu, revelando uma figura que parecia ter saído de um pesadelo. Uma pessoa de aparência andrógina, com longos cabelos brancos que flutuavam ao redor como um sudário, e olhos violetas que brilhavam com uma inteligência cruel. Um sorriso sádico brincava em seus lábios enquanto caminhavam em dire??o a Zack, seus passos silenciosos, mas cada um ecoando como uma senten?a de morte.

  "Olá, Zack", disse a pessoa, sua voz uma melodia suave que contrastava com o mal em seus olhos. "Eu sou a Morte. E eu te conhe?o. Eu conhe?o seus medos, seus segredos, seu passado."

  ---

  A imagem da pra?a se dissolveu, substituída por uma cena de beleza deslumbrante. Uma colina verdejante, coberta por um tapete de flores violetas de Jacaranda. No centro, a M?e de todas as árvores Jacaranda se erguia, seus galhos se estendendo por milhas, um santuário de paz e sabedoria. Sob sua sombra, um jovem Zack, de cabelos brancos e olhos escuros, lia um livro com capa preta e violeta, adornado com um grande olho. Ao seu lado, Nanashi, com seus longos cabelos brancos e um sorriso vibrante, mastigava um peda?o de grama, a personifica??o da tranquilidade.

  "Por que você a protegeu?" Nanashi perguntou, com os olhos fixos no livro de Zack. Zack n?o respondeu, absorto em sua leitura. "Sofia... ela é..." Nanashi come?ou, mas Zack o interrompeu, fechando o livro com um suspiro. "Nanashi, chega. Já disse que n?o vou entregá-la."

  "Você torturou e matou o pai dela", disse Nanashi, com voz séria. "N?o importa se ele era um canalha. Ele ocupava um cargo elevado. Eles v?o te fazer sofrer, Zack. Na verdade, você já está sofrendo... Só me diga, valeu a pena?"

  Zack colocou a m?o no ombro do amigo, um leve sorriso nos lábios. "Valeu cada momento. Eu faria o mesmo por você." Nanashi riu, o som ecoando pela colina. "Sai daqui, eu n?o gosto de homens! Você é estranho, sai de perto de mim!" A piada quebrou a tens?o, e os dois riram, suas risadas contagiantes. Mas por trás da leveza, Nanashi pensou: "Zack, eu faria o mesmo por você, meu irm?o. Mas sou covarde demais para admitir."

  ---

  Seis meses depois. A colina da sabedoria era irreconhecível. Uma tempestade violenta o a?oitou, relampagos rasgando o céu e o vento uivando como um animal ferido. As árvores Jacaranda se curvaram, suas flores violetas espalhadas pelo ch?o encharcado. No meio daquele caos, Zack estava de joelhos, o corpo tremendo, as m?os cobertas de sangue. A cidade de Polyhedron, ao longe, era uma pira funerária, fuma?a negra subindo em dire??o ao céu tempestuoso.

  "Zack! O que aconteceu?!" Nanashi gritou, sua voz quase inaudível em meio ao barulho da tempestade. Ele correu até o amigo, o desespero estampado no rosto. "Onde est?o Tobi e Momo?"

  Zack n?o respondeu. Ele apenas levantou a cabe?a, seus olhos arregalados e horrorizados encontrando os de Nanashi. "Me perdoe, Nanashi", sussurrou, a voz embargada. "Eu n?o sei o que aconteceu... I..."

  Nanashi sentou-se ao lado dele, a chuva molhando os dois. Com uma calma que desmentia a tempestade ao redor, ele pegou as pétalas molhadas do ch?o e come?ou a limpar o sangue das m?os de Zack. "Calma, Zack. Respire fundo. Estou aqui."

  Zack respirou fundo, o tremor em seu corpo diminuindo gradualmente. "O rei descobriu o plano", disse, a voz ainda trêmula. "Momo está morta, Nanashi." O silêncio que se seguiu foi mais pesado que qualquer trov?o. "Quem a matou?" Nanashi perguntou, a voz um fio.

  A resposta veio com um clar?o de relampago, iluminando o rosto devastado de Zack. "Eu disse."

  Zack contou a história, as palavras saindo em um fluxo de dor e culpa. O rei os encurralou, for?ando-o a uma escolha impossível. Tobi, capturado e torturado, implorava pela morte. Mas Momo, anos antes, o fez prometer nunca deixar Tobi morrer. E, naquele momento, ela o lembrou da promessa. Para salvar Tobi, ele teve que matar Momo. E, para escapar, ele massacrou toda a família real.

  Nanashi ouviu em silêncio, a chuva escondendo as lágrimas que escorriam pelo rosto. Quando Zack terminou, levantou-se e estendeu a m?o para o amigo. "Está tudo bem, Zack. Só pegue minha m?o." Zack hesitou, a culpa o consumindo. Mas ele pegou a m?o de Nanashi, e juntos, eles se levantaram, dois irm?os unidos pela tragédia e lealdade inabalável.

  ---

  A lembran?a desapareceu, e Zack estava de volta à pra?a, o cheiro de cereja e amora agora insuportável. "Morte" sorriu, um sorriso que guardava todo o conhecimento de seu passado doloroso.

  "Você lembra, Zack?" "Morte", disse, a voz ecoando na mente de Zack. "A culpa, a dor, o sacrifício. Tudo em v?o." Com um estalar de dedos, o quadrado se transformou. Zack estava de volta à colina, mas dessa vez, era o corpo de Momo que ele segurava, o sangue dela manchando suas m?os. A voz de Nanashi o acusou, a dor em seus olhos como uma adaga no cora??o de Zack.

  "Você a matou!" gritou o fantasma de Nanashi. "Você nos matou todos!"

  Zack gritou, realidade e ilus?o se fundindo em um pesadelo psicodélico. Ele atacou "Morte", mas seus golpes erraram o alvo, passando pelo ar como se estivesse lutando contra um fantasma. "Morte" riu, o riso ecoando com as vozes de todos que Zack havia perdido.

  "Eu sou suas memórias, Zack," disse "Morte", sua forma mudando para a de Nanashi, depois a de Momo e, finalmente, a de Sofia. "Eu sou sua culpa, seu medo, sua escurid?o. E você nunca escapará de mim."

  Zack caiu de joelhos, derrotado. A dor do passado era uma arma que ele n?o podia lutar. "A Morte" se aproximou, um sorriso triunfante no rosto. Eles se voltaram para o ber?o, onde o bebê de olhos dourados chorava, alheio ao drama que se desenrolava.

  "Agora," disse "Morte", a voz carregada de veneno, "vamos terminar o que come?amos." A m?o deles alcan?ou o bebê, e o mundo de Zack mergulhou na escurid?o.

  Tobi deve morrer.

  Zack estava de joelhos, o corpo tremendo em uma convuls?o silenciosa. Um zumbido agudo e agudo perfurou seus ouvidos, abafando os sons da pra?a e o choro distante do bebê. A figura da Morte, um espectro de beleza andrógina, avan?ou em dire??o ao ber?o, cada passo um eco em sua mente fragmentada. Ele tentou se levantar, mas seus músculos n?o obedeciam, paralisados por um terror que transcendia o físico.

  Foi ent?o que ele a sentiu. Um abra?o etéreo, um calor que o envolvia como um manto de luz dourada. Uma mulher loira, com pele branca como neve e olhos dourados que brilhavam com infinita bondade, o segurava. Era um toque espiritual, uma carícia em sua alma ferida. "Acorde," ela sussurrou em seu ouvido, sua voz uma melodia suave que contrastava com o caos em sua mente.

  A energia dela, dourada e carinhosa, fluía para ele, uma rajada de sanidade em meio à loucura. Suas memórias, antes um turbilh?o de imagens desconectadas, come?aram a se estabilizar. Ele via Orfeu, n?o como o guerreiro adulto que conhecia, mas como uma crian?a assustada. Ele viu K, um ca?ador desesperado, lutando para sobreviver. E ele se lembrava do castelo do Rei Violeta, do sangue em suas m?os, da fúria que o consumia.

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  A dissonancia era avassaladora. Será que ele tinha voltado no tempo? Ou tudo aquilo foi uma alucina??o, um sonho febril? A perfei??o daquele mundo, a sensa??o de completude, agora parecia uma mentira cruel. E a morte... A morte n?o se encaixava em nenhuma de suas memórias. Se ele havia voltado ao passado, por que n?o se lembrava daquele ser, daquele ritual, daquele cheiro de cereja e amora que agora o sufocava?

  A mulher espiritual o chamou pelo nome, sua voz um farol na escurid?o. "Zack... despertar." E ent?o, ela se foi, deixando para trás um rastro de calor e uma clareza dolorosa. A for?a voltou ao seu corpo, suas veias pulsando com vigor renovado. Sua respira??o ficou pesada, e seus olhos negros, antes nublados pela confus?o, explodiram em uma fúria fria e determinada.

  Com um movimento que desafiava a lógica, Zack reapareceu diante da Morte, bloqueando seu caminho até o bebê. Mas algo estava errado. A figura diante dele n?o era a mesma. A beleza andrógina havia desaparecido, substituída por uma presen?a assustadoramente familiar.

  Os detalhes, antes escondidos pela manipula??o e pelo caos, agora se encaixavam com uma clareza assustadora. O pergaminho sem resposta de Ra, as perguntas sobre liberdade e morte, a sensa??o de ser guiado por um caminho tortuoso... Tudo fazia sentido. E no centro de tudo, a verdade, uma adaga cravada em seu cora??o: Tobi.

  Seu amigo de infancia, seu irm?o ca?ador, seu companheiro leal. Tobi era a Morte. Ele era o mestre do ritual, o manipulador das sombras. E o grupo de Zack, em busca de respostas, trope?ou no palco dele, arruinando o show.

  Tobi estava ali, com seu casaco comprido, chapéu preto com uma única faixa vermelha e olhos azul-oceano. Um cigarro pendia de seus lábios, e um sorriso zombeteiro brincava em seu rosto. A imagem da trai??o era t?o avassaladora que Zack sentiu o ar sair de seus pulm?es.

  "Tobi..." Sussurrou, a voz rouca de descren?a. "O que... o que é isso?"

  Em um gesto de nega??o, tentou apelar para a amizade que antes os unia. "Podemos consertar isso, Tobi. Uma cerveja, uma conversa... como nos velhos tempos." Ele tirou a bússola do bolso, símbolo da irmandade, a última relíquia de um passado que agora parecia uma mentira.

  Tobi n?o respondeu. Ele apenas deu uma longa tragada no cigarro, a fuma?a se misturando ao cheiro doce e nauseante do ritual. Ent?o, com um desprezo que cortava mais fundo que qualquer lamina, cuspiu na bússola e a esmagou sob seu pé.

  Zack gritou, a dor da trai??o consumindo-o. "Nanashi nos deu isso! A memória dele nos mantém vivos!"

  Tobi riu, uma risada vazia, sem qualquer alegria. "Nanashi..." Repetiu, o nome envenenado em seus lábios. "Você realmente n?o lembra de nada, né?"

  Zack se aproximou, segurando Tobi pela gola. "Alguém está te manipulando, Tobi! Eu sei que s?o! Eu vou te tirar dessa, amigo. Estou aqui!"

  O sorriso de Tobi se alargou, revelando dentes brancos e brilhantes que pareciam assustadoramente fora de lugar naquela cena de horror. E ent?o, Zack percebeu. A multid?o, os cidad?os da Cidade Vermelha, todos sorriam do mesmo jeito. Um coro de zombaria, um pesadelo de dentes brancos e olhos vazios.

  "Olha, eu n?o queria que terminasse assim", disse Tobi, a voz calma, quase casual. "Eu só queria te mandar para o inferno. Eu queria te ver se lamentar, enlouquecer, sem nunca descobrir a verdade. Queria ver você questionar a realidade e, depois de muito tempo, implorar pela morte. Mas você me descobriu. N?o sei como, mas você me descobriu. E isso me machuca, porque você nem sequer sofreu o que deveria."

  As palavras de Tobi eram como ácido, queimando a alma de Zack. Ele recuou, o corpo tremendo, as pernas falhando. O homem à sua frente n?o era seu amigo. Ele era um monstro, um dem?nio em pele humana.

  "Eu planejei tudo com cuidado," continuou Tobi, a ironia transparecendo em sua voz. "Eu ia ser morto ajudando você na batalha contra a 'Morte', Zack. Que personagem grosseiro e idiota eu criei, e você acreditou. Você juraria vingan?a, culparia o Vazio... mas a verdade, meu caro Zack, é muito mais deliciosa."

  Zack cambaleou e caiu, o terreno irregular da pra?a o recebendo com um baque surdo. Ele estava paralisado, sua mente incapaz de processar a enormidade da trai??o.

  Tobi se aproximou, ainda com o sorriso sádico no rosto. Ele agarrou Zack pelo pesco?o e desferiu o primeiro soco. A cabe?a de Zack bateu no ch?o, o som ecoando pelo quadrado silencioso. E ent?o, come?ou a chuva de golpes. Socos violentos e impiedosos que transformavam o rosto de Zack em uma máscara de sangue e dor.

  E, em meio à tortura, Tobi sussurrou: "Vou te contar um segredo, velho amigo. Você vai morrer, e no fim, todo nosso joguinho foi em v?o. Todo o peso da sua luta foi em v?o. Sou cruel, mas ainda tenho um pouco de bondade. Ent?o, antes de você morrer, vou te contar a verdade."

  ---

  Os socos cessaram. Tobi recuou, acendendo outro cigarro. "Lembra do Dia D?" ele perguntou, a fuma?a se enrolando em seu rosto.

  Zack, com o rosto inchado e ensanguentado, só conseguiu balan?ar a cabe?a. O único olho que ainda conseguia abrir estava cheio de lágrimas.

  "O rei ia matar todos com olhos negros", disse Tobi, sua voz fria e sem emo??o. "O homem que te adotou, que cuidou de você... Ele, o exército, todos pensavam a mesma coisa. VOCê TEM OLHOS ROXOS, Zack. Você é um monstro. E eles iam purificar o mundo de você."

  Tobi abriu os bra?os em um gesto de elogio, e a multid?o o imitou, um mar de corpos vazios levantando as m?os para o céu manchado de sangue. "Os grandes chefes do país fizeram um acordo mundial com todas as na??es. Chegaria um dia, em uma data e um momento assim, em que a maior purifica??o global do mundo aconteceria. Você precisava ver, Zack. Era realmente único. Países que se odiavam, que nunca conseguiam concordar sobre como manter a paz, como lutar contra os monstros, como lidar com o Continente Vermelho... todos unidos por um único propósito: exterminar sua ra?a."

  "O Vazio dominava o globo, e tudo o que restava eram as cidades. E a história do Messias, o grande salvador do povo de olhos negros, estava ficando mais forte. As na??es estavam sendo amea?adas, as aldeias tomadas por olhares morados. N?o pela for?a, mas pelo sangue. A mistura de ra?as. Pessoas impuras casando com olhos negros e tendo filhos... Que nojo."

  Zack, com dificuldade, agarrou a camisa de Tobi. "Por quê?" sussurrou, a voz um fio. "Eu sei que você amava a Momo."

  Tobi deu uma longa tragada no cigarro, o prazer evidente em seu rosto, mas seus olhos eram um abismo de escurid?o. "Ela tinha olhos roxos. Hoje eu entendo. Foi só uma paix?o de infancia."

  "Tobi, eu n?o acredito nisso," respondeu Zack, com a voz baixa e fraca.

  Tobi se virou, olhando para a lua vermelha que pairava no céu como um olho sangrando. Por um longo momento, ele ficou em silêncio, a fuma?a do cigarro subindo em espirais lentas.

  "Sabe, Tobi," disse Zack, com a voz um pouco mais firme, "eu nunca te contei isso, mas ela me fez prometer que te salvaria."

  Tobi riu, uma risada amarga que se perdeu na vastid?o da noite. "Por que ela diria algo t?o idiota? A vida dela realmente n?o valia nada. Ela era uma imundícia de olhos negros."

  "Você n?o entende," disse Zack, balan?ando a cabe?a em nega??o. "Por isso ela me pediu para te salvar. Ela sabia que a vida dela n?o valeria nada, mas a sua..."

  As palavras de Zack pairaram no ar, carregando um peso que Tobi n?o podia mais ignorar. Ele continuou olhando para a lua, mas agora, seus ombros tremiam. Gotas de água come?aram a cair no rosto de Zack. "Come?ou a chover, Zack", disse ele, a voz embargada. "Uma chuva forte está chegando."

  "Sim, amigo," respondeu Zack, a compaix?o em sua voz um bálsamo para a dor de Tobi. "Parece que está fermentando há muito tempo."

  Tobi se virou, o rosto contorcido em uma máscara de agonia. Ele era um homem quebrado, um ca?ador destruído. O amor por Momo, que ele tentara enterrar sob uma montanha de ódio e crueldade, agora o consumia.

  "Dia D...", continuou, a voz rouca. " Todos os países se uniram para destruir sua ra?a. N?o haveria olhos roxos e, assim, poderiam acabar com o Vazio. O plano foi feito para silenciar a expans?o do seu povo e destruir qualquer chance de um Messias ou alguma história idiota ser inventada."

  Zack estava paralisado, sua mente atordoada pela enormidade da revela??o. Mas uma pergunta o atormentava. "Como você sabia de tudo isso? E eu n?o fiz isso?"

  Tobi limpou o rosto com o dorso da m?o, a máscara de dureza lentamente se reconstituindo. "Porque quem planejou tudo isso, Zack... era Nanashi."

  ---

  "O QUê!" O grito de Zack rasgou o ar, um som de pura agonia e nega??o. Ele apertou Tobi com mais for?a, sacudindo-o. "Para de mentir! Por que você está dizendo isso, Tobi? Você está tentando me manipular!"

  "N?o estou mentindo, Zack," disse Tobi, a voz agora calma, resignada. "Você n?o se lembra, amigo, porque descobriu tudo isso e fugiu. Você me deixou e deixou muitos dos nossos outros amigos para trás. Seu melhor amigo, seu irm?o, aquele que te criou... Sim. Ele te traiu."

  Zack n?o tinha mais for?as para gritar, bater, lutar. A verdade o esvaziou, restando apenas uma casca vazia.

  "Eu n?o sei o que aconteceu, Zack," continuou Tobi, a voz um murmúrio. "Mas você fugiu, deixando tudo para trás. N?o sei por que você n?o lembra. Eu realmente n?o sei. Só sei que todo mundo te temia. Você n?o deixaria esse plano acontecer no país. Além de ser temido em outros países, a guerra fez seu nome, e todos tinham medo de você, do que você poderia fazer depois dessa a??o. Nanashi sabia como te impedir, ent?o come?ou o plano. é por isso que todos os países te ca?am. O mundo ca?a os olhos negros, e você é um símbolo de resistência."

  Zack ficou em silêncio, o rosto sem express?o, os olhos vazios. Nanashi. Dia D. Amigos. Na??es. Todas as pe?as do quebra-cabe?a se encaixam, formando um quadro de horror indescritível.

  "Eu nem sei por que te contei," disse Tobi, com a voz cansada. "Acho que a morte da Momo foi meu erro, e no fim, sempre te culpei. Zack, eu abracei o racismo contra o qual eu era contra. Esse é o meu destino. Quero morrer como um monstro, fazendo o que fa?o de melhor: matar meus amigos e aqueles que amo."

  Tobi olhou para Zack, os olhos fixos nos dele. O olhar sem vida de Tobi, a fuma?a do cigarro se espalhando entre eles, os cidad?os sorrindo ao olhar para os dois, a energia macabra que tornava o lugar sem vida. Ao fundo, o bebê chorava por ajuda.

  E ent?o, um grito rompeu o silêncio. Um grito de pura, primal, agonia.

  "VENHA ATé MIM, LUA NEGRA!!"

  Um raio negro rasgou o céu, caindo em dire??o a Zack e Tobi, uma promessa de aniquila??o e, talvez, de liberta??o.

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