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# Capítulo 14: Ecos de um Passado Dourado

  # Capítulo 14: Ecos de um Passado Dourado

  O bairro nobre estava morto.

  Zack caminhava pelas ruas largas e imaculadas, seus passos ecoando no silêncio antinatural que envolvia o lugar. Mans?es elegantes erguiam-se de ambos os lados, suas janelas escuras como olhos vazios observando sua passagem. Jardins meticulosamente cuidados permaneciam imóveis, sem o menor sopro de vento para agitar suas folhas.

  N?o havia pessoas. N?o havia animais. Nem mesmo o som distante da cidade chegava até ali. Era como se a própria vida tivesse sido drenada deste lugar, deixando apenas cascas vazias de opulência.

  O contraste com o caos e a destrui??o do Bairro Baixo era perturbador. Enquanto lá havia corpos, sangue e ruínas, aqui havia apenas... ausência. Uma ausência t?o completa que parecia deliberada.

  Zack estava mais humano agora, a escurid?o em seus olhos quase completamente dissipada. Mas o peso que carregava era imenso. Cada passo em dire??o ao castelo do Rei Violeta parecia mais pesado que o anterior. A culpa pelos mortos no Bairro Baixo. A raiva pelo envolvimento do Rei. E algo mais, algo que n?o conseguia nomear – uma sensa??o crescente de que estava caminhando para um confronto há muito tempo adiado.

  Acima do castelo, o céu tinha uma colora??o estranha – n?o exatamente púrpura, nem exatamente negro, mas algo entre os dois, como se a realidade estivesse sendo sutilmente distorcida. A Lua Negra vibrava ocasionalmente em sua bainha, respondendo a algo invisível no ar.

  Foi quando ele a viu – uma fonte de água cristalina no centro de uma pequena pra?a. Zack franziu o cenho, confuso. Ele conhecia bem esta área, tinha passado por aqui inúmeras vezes antes, mas nunca havia notado esta fonte. Era belíssima, esculpida em mármore branco com detalhes em ouro, a água t?o clara que parecia feita de luz líquida.

  Algo nela chamou sua aten??o, atraindo-o como um ím?. Zack se aproximou lentamente, quase contra sua vontade. A luz de um poste próximo iluminava a água, criando reflexos hipnóticos que dan?avam na superfície perfeitamente parada.

  Ao se inclinar sobre a borda da fonte, Zack viu seu próprio reflexo. O contraste entre luz e sombra era dramático, dividindo seu rosto em duas metades – uma iluminada, revelando fei??es humanas e familiares; outra mergulhada em sombras impenetráveis.

  Por um momento, tudo ficou perfeitamente imóvel. O silêncio era absoluto. Zack sentiu uma estranha solid?o, uma sensa??o de isolamento t?o profunda que parecia física, como um peso sobre seus ombros.

  Ent?o, sem qualquer vento ou movimento, a água da fonte se agitou. O reflexo de Zack se distorceu, ondulando como se visto através de vidro derretido. E quando a água se acalmou novamente, os olhos no reflexo n?o eram mais os seus – eram mais antigos, mais profundos, simultaneamente familiares e estranhos.

  Uma dor aguda atravessou sua cabe?a como um raio. A Lua Negra vibrou violentamente em sua bainha, emitindo um zumbido baixo que parecia perfurar seus tímpanos. Zack caiu de joelhos, segurando a cabe?a entre as m?os, enquanto fragmentos de memórias come?avam a invadir sua mente como cacos de vidro.

  *A Lua Negra, cravada em uma enorme rocha de cristal, cercada por escurid?o absoluta.*

  *Uma crian?a com o rosto coberto por sombras, sendo erguida no ar, enquanto risos distantes ecoavam como sinos quebrados.*

  *Uma mulher de cabelos dourados e olhos da mesma cor, seu sorriso radiante como o p?r do sol, estendendo a m?o para ele.*

  A dor em seus ouvidos aumentou, transformando-se em um zumbido insuportável que parecia preencher todo o seu cranio. Vis?es fragmentadas explodiam atrás de seus olhos fechados, rápidas demais para serem compreendidas, intensas demais para serem ignoradas.

  "PAREM!" gritou ele para o céu vazio, sua voz ecoando pelas ruas desertas. "PAREM!"

  N?o havia ninguém para ouvir seus gritos. Ninguém para ajudar. Ninguém para testemunhar quando a dor atingiu um pico insuportável e ent?o, subitamente, cessou.

  O mundo ao redor de Zack pareceu se dissolver, como tinta em água. As ruas, as mans?es, a fonte – tudo desapareceu, dando lugar a uma memória completa, vívida e detalhada, que o engolfou como uma onda.

  ---

  Zack abriu os olhos.

  Estava deitado em uma cama simples mas confortável, em um quarto pequeno e escuro. Sentou-se lentamente, passando a m?o pelo cabelo – raspado nas laterais, deixando apenas uma faixa no meio. Seu rosto estava livre de cicatrizes, seu corpo mais jovem, mais leve. Vestia uma camisa cavada branca e cal?a militar com botas.

  A Lua Negra n?o estava com ele.

  Levantou-se e caminhou até a janela, abrindo as cortinas com um movimento fluido. A luz do sol inundou o quarto, e com ela, a vis?o de uma cidade que n?o deveria mais existir.

  O País do Poliedro se estendia diante dele em toda sua glória – uma metrópole majestosa com arquitetura gótica moderna, prédios que pareciam tocar as nuvens, pontes impressionantes que conectavam diferentes níveis da cidade. árvores gigantescas, algumas com mais de 20 metros de altura, cresciam entre as constru??es, suas copas formando doséis verdes sobre as ruas. Rios serpenteavam pela cidade, suas águas cristalinas refletindo o céu azul sem nuvens.

  As ruas pulsavam com vida. Pessoas a cavalo trotavam ao lado de carro?as ornamentadas. Cidad?os bem vestidos caminhavam pelas cal?adas, conversando animadamente. Cachorros corriam entre as pernas dos pedestres, enquanto gatos observavam tudo do alto de parapeitos ensolarados. Pássaros coloridos voavam entre as árvores, enchendo o ar com seus cantos.

  Esculturas geométricas de prata adornavam cada esquina, cada pra?a, cada ponte – obras de arte matemáticas que captavam e refletiam a luz do sol de formas hipnóticas. E no centro da cidade, visível mesmo à distancia, erguia-se uma estátua dourada de 50 metros – a Rainha dos Olhos Dourados, com um drag?o filhote de ouro chamado Kobal ao seu lado, suas escamas metálicas cintilando sob o sol.

  Zack sorriu – um sorriso genuíno, despreocupado, t?o diferente do sorriso tenso e raro do Zack atual. Havia uma leveza em seus movimentos, uma ausência do peso invisível que sempre parecia carregar.

  "Droga!" murmurou ele, olhando para um relógio na parede. "Nanashi está esperando."

  Saiu apressadamente do quarto e desceu as escadas do prédio, cumprimentando vizinhos, idosos e crian?as com familiaridade e carinho. Uma senhora idosa ofereceu-lhe um p?o recém-assado, que ele aceitou com um beijo em sua bochecha enrugada. Um grupo de crian?as correu ao seu redor, rindo e pedindo que mostrasse "o truque", ao que ele respondeu fazendo uma moeda desaparecer e reaparecer atrás da orelha de um menino boquiaberto.

  Na porta do prédio, um homem alto e magro fumava um cigarro, encostado na parede com uma postura despreocupada. Tinha cabelos longos e brancos que caíam sobre os ombros, pele clara como porcelana, e olhos de um azul t?o intenso que pareciam irreais. Tatuagens cobriam cada centímetro visível de sua pele – peixes coloridos nadando pelo pesco?o, cachorros correndo pelos bra?os, e drag?es enrolados ao redor dos pulsos.

  "Está atrasado, idiota," disse o homem, soprando uma nuvem de fuma?a para o céu.

  "Foi mal," respondeu Zack, parando ao seu lado. Ent?o, com um tom mais animado: "Hoje é dia da pose?"

  Um sorriso lento se espalhou pelo rosto tatuado. "Sim, e também o dia mais importante da minha vida." Sua express?o se iluminou com uma felicidade genuína. "Eu vou me confessar."

  "Até que enfim, seu covarde cara de cavalo!" exclamou Zack, dando um soco leve no ombro do amigo.

  "Olha quem fala, seu rato de esgoto sem cérebro!" retrucou o outro, devolvendo o soco com for?a suficiente para fazer Zack cambalear.

  Em segundos, estavam trocando insultos cada vez mais criativos, socos e chutes que pareciam violentos mas eram claramente brincadeira. A "luta" terminou com ambos caindo na cal?ada, rindo t?o forte que mal conseguiam respirar.

  "Vamos, Nanashi," disse Zack finalmente, levantando-se e estendendo a m?o para ajudar o amigo. "N?o quero que você se atrase para o grande momento."

  This story originates from Royal Road. Ensure the author gets the support they deserve by reading it there.

  Come?aram a caminhar pelas ruas ensolaradas do País do Poliedro, passando por mercados coloridos onde vendedores anunciavam suas mercadorias, pra?as onde músicos tocavam instrumentos estranhos e belos, e templos onde sacerdotes de vestes coloridas realizavam rituais complexos envolvendo cristais e luz.

  Após alguns minutos de caminhada, Nanashi quebrou o silêncio confortável. "Como ela está?" perguntou, sua voz subitamente séria.

  Zack ficou visivelmente desconfortável, seus olhos fixos no ch?o. "Bem..." respondeu simplesmente, sua voz quase inaudível.

  Nanashi colocou a m?o no ombro de Zack, apertando levemente. "Relaxa, vai dar tudo certo. Eu estou aqui." Ent?o, com um movimento rápido, tirou uma pequena bolsa de couro de dentro do casaco. "Toma, 20 moedas de prata."

  Zack olhou para a bolsa como se fosse uma cobra venenosa. "N?o preciso da sua caridade," disse, empurrando a bolsa de volta contra o peito de Nanashi.

  "Cala a boca e pega o dinheiro, seu animal!" gritou Nanashi, rindo enquanto dava um soco no rosto de Zack com for?a suficiente para derrubá-lo.

  Zack caiu sentado na cal?ada, esfregando o queixo. Depois de um momento de silêncio tenso, pegou a bolsa de moedas. "N?o vou pagar," avisou, guardando-a no bolso.

  Nanashi estendeu a m?o para ajudá-lo a levantar, um sorriso ir?nico em seu rosto. "Mas quando foi que você pagou?"

  ---

  A memória estourou como uma bolha, jogando Zack de volta à realidade com violência. Ele estava novamente ajoelhado diante da fonte no bairro nobre, gritando de dor enquanto a Lua Negra vibrava em sua bainha como um animal selvagem tentando escapar.

  Por um momento, Zack pareceu completamente desorientado, seus olhos movendo-se freneticamente de um lado para outro, como se n?o soubesse onde estava ou quem era. Fragmentos das duas realidades se misturavam em sua mente – o sol brilhante do País do Poliedro e o céu distorcido sobre o castelo do Rei Violeta; o rosto sorridente de Nanashi e as ruas vazias do bairro nobre; a leveza que sentia naquele passado distante e o peso esmagador do presente.

  Lentamente, dolorosamente, ele se recomp?s. Seu rosto endureceu com determina??o renovada. Olhou para o castelo ao longe, agora com um novo entendimento, embora ainda incompleto. Havia perguntas demais, memórias fragmentadas demais. Mas uma coisa estava clara – o caminho à frente.

  Zack se levantou, ajustou a Lua Negra em sua bainha, e continuou sua jornada em dire??o ao castelo, seus passos mais firmes e decididos que antes.

  A ponte que ligava a cidade ao castelo era uma estrutura imponente – arcos de pedra branca sustentados por colunas esculpidas com figuras mitológicas, o parapeito decorado com entalhes de batalhas antigas. Como tudo no bairro nobre, estava completamente deserta. Cada passo de Zack ecoava no silêncio, como se estivesse caminhando entre dois mundos.

  à medida que se aproximava do castelo, Zack sentiu uma press?o crescente, como se o ar estivesse ficando mais denso. A Lua Negra vibrava com mais intensidade, quase como se estivesse ansiosa, reconhecendo algo familiar.

  Pequenos detalhes perturbadores come?aram a chamar sua aten??o ao longo do caminho – sombras que pareciam se mover de forma errada, como se tivessem vontade própria; reflexos distorcidos nas janelas do castelo que n?o correspondiam ao que deveria estar sendo refletido; o som ocasional de sussurros que pareciam vir de lugar nenhum e em toda parte ao mesmo tempo.

  Zack lutava contra o impulso de desembainhar a Lua Negra. Parte dele – a parte que ainda era humana, a parte que havia curado os sobreviventes no Bairro Baixo – queria entrar no castelo como o homem que era agora, n?o como a arma que o Vazio podia transformá-lo. Mas outra parte, a parte que havia despertado na torre do sino, ansiava pelo poder, pela liberta??o que vinha com a rendi??o completa.

  Finalmente, chegou aos port?es do castelo – enormes estruturas de 12 metros de altura feitas de ouro maci?o, decoradas com entalhes complexos que pareciam contar histórias antigas. Figuras em relevo mostravam batalhas, coroa??es, execu??es e rituais estranhos, todos conectados em uma narrativa contínua que circundava os port?es.

  Com um esfor?o considerável, Zack empurrou os port?es, que se abriram lentamente com um gemido metálico que ecoou pelo castelo vazio. Uma rajada de vento frio o atingiu, vinda de lugar nenhum, carregando consigo sons distantes e indistintos – sussurros, risos abafados, ocasionalmente o que parecia ser um grito distante.

  O interior do castelo era de uma opulência estonteante. Tapetes luxuosos cobriam o ch?o de mármore polido. Objetos de prata e ouro adornavam mesas e prateleiras por toda parte. Escadas de madeira branca subiam em espirais elegantes para os andares superiores. Tapetes vermelhos marcavam caminhos pelo piso, todos convergindo para o centro do castelo. Lustres de cristal pendiam do teto alto, iluminando tudo com uma luz quase sobrenatural, branca demais, fria demais para ser natural.

  Zack seguiu o tapete vermelho principal, seus sentidos em alerta máximo. Cada passo o levava mais fundo no castelo, mais perto do que sabia estar esperando por ele.

  Finalmente, chegou ao sal?o principal – uma camara imensa com teto abobadado, sustentada por colunas de mármore negro. Vitrais coloridos filtravam a luz estranha do exterior, projetando padr?es complexos no ch?o. E a 30 metros da entrada, sobre uma plataforma elevada, estava uma poltrona impressionante.

  N?o era um trono comum. Era uma estrutura grotesca e majestosa, formada por coroas derretidas de vários formatos e tamanhos, fundidas em uma única pe?a. Ouro, prata, platina e outros metais mais raros se entrela?avam em padr?es caóticos, com joias de todas as cores incrustadas na superfície. Algumas das coroas ainda eram reconhecíveis – uma tiara delicada aqui, uma coroa pesada e ornamentada ali – como se seus donos originais tivessem sido absorvidos pelo trono, suas identidades preservadas apenas como troféus.

  E sentado nesse trono, com os pés cruzados e uma postura relaxada que sugeria tédio ou expectativa satisfeita, estava o Rei Violeta.

  Ele vestia roupas pretas e vermelhas de tecido t?o fino que parecia fluir como água ao redor de seu corpo esguio. Uma coroa simples, quase modesta em compara??o com seu trono, repousava sobre seus cabelos pretos como a noite. Sua aparência era perturbadoramente bela – tra?os perfeitos, simétricos, como se tivesse sido esculpido em vez de nascido. Pele pálida e imaculada como porcelana. E os olhos – violetas intensos, profundos, hipnóticos, que pareciam brilhar com luz própria.

  Diante do trono, uma cadeira vermelha estofada e uma mesa baixa com bebidas e comidas estavam dispostas, como se o Rei estivesse esperando por um convidado há muito tempo.

  Os olhares de Zack e do Rei se encontraram através do sal?o. Houve um reconhecimento silencioso entre eles, como velhos conhecidos que se reencontram após uma longa separa??o. O ar entre eles parecia carregar eletricidade, denso com tens?o n?o resolvida e segredos compartilhados.

  A Lua Negra vibrou com intensidade crescente na bainha de Zack, como se reconhecesse um antigo inimigo – ou um velho amigo.

  O Rei sorriu, um sorriso que n?o alcan?ava seus olhos violetas. Era um gesto calculado, ensaiado, como um ator que sabe exatamente que efeito quer causar.

  "Finalmente," disse ele, sua voz melodiosa e terrível ao mesmo tempo, ecoando pelo sal?o vazio. "Achei que nunca viria me visitar..." Fez uma pausa deliberada, seus olhos violetas brilhando com algo que poderia ser divers?o ou malícia. "...velho amigo."

  Zack sentiu outra onda de memórias tentando emergir – fragmentos de conversas, risos compartilhados, trai??es antigas – mas as reprimiu com esfor?o. Este n?o era o momento para se perder no passado. Havia quest?es mais urgentes no presente.

  Lentamente, deliberadamente, ele avan?ou em dire??o à cadeira preparada para ele, cada passo ecoando no silêncio do sal?o.

  O Rei gesticulou para a cadeira com um movimento elegante de sua m?o pálida. "Sente-se," convidou, sua voz suave como veludo e afiada como uma lamina. "Temos muito o que discutir sobre o Vazio, sobre Skull..." Seus olhos violetas brilharam com intensidade renovada. "...e sobre a mulher de olhos dourados que ambos amamos."

  Tabelas Oficiais do Mundo

  Tabela 1 — Criaturas do Void

  Tabela 2 — Continente Vermelho

  Tabela 3 — Ca?adores

  Tabela 4 — Sistema de Ranks do Mundo

  Tabela 5 — Energia Espiritual e Habilidades

  Tabela 6 — Ca?adores Irregulares

  Regra Fundamental do Mundo

  Aura n?o define poder.

  For?a física n?o garante sobrevivência.

  Habilidade é o que separa os fortes dos mortos.

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