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# Capítulo 15: Quando Reinos Caem

  # Capítulo 15: Quando Reinos Caem

  Zack hesitou por um momento antes de se aproximar da cadeira preparada para ele. Seus dedos ro?aram levemente o cabo da Lua Negra, prontos para desembainhá-la ao primeiro sinal de trai??o.

  Para sua surpresa, o Rei Violeta se levantou do trono de coroas derretidas com um movimento fluido e gracioso. N?o havia amea?a em sua postura, nenhuma tens?o em seus ombros. Ele se movia com a elegancia natural de alguém completamente à vontade em sua própria pele.

  "Por favor, sente-se," disse o Rei, sua voz melodiosa ecoando pelo sal?o vazio. "Deve ter sido uma longa jornada até aqui."

  Zack permaneceu em pé, seus olhos nunca deixando os do Rei enquanto este se aproximava da mesa entre eles. Com gestos delicados, o monarca ergueu uma garrafa de cristal contendo um líquido vermelho-escuro e serviu duas ta?as.

  "Vinho do País das Montanhas," explicou ele, oferecendo uma das ta?as a Zack. "Safra especial. Dizem que as uvas crescem em encostas t?o íngremes que os colhedores precisam ser amarrados para n?o caírem para a morte."

  Quando Zack n?o fez movimento para aceitar a bebida, o Rei sorriu suavemente e colocou a ta?a na mesa. Ent?o, come?ou a servir comida de travessas de ouro – carnes delicadamente cortadas, frutas exóticas, p?es ainda fumegantes.

  "Como você tem passado, velho amigo?" perguntou o Rei, como se estivessem retomando uma conversa interrompida há pouco. "Os anos têm sido gentis com você?"

  Zack sentiu seu maxilar apertar. Isto n?o era o que esperava. Onde estava a luta, o confronto? Onde estavam as acusa??es, as amea?as? Por que o Rei Violeta – o homem que aparentemente estava por trás do massacre no Bairro Baixo, que tinha alguma conex?o com Skull – o tratava como um velho amigo em um jantar casual?

  "O que é isso?" Zack finalmente falou, sua voz áspera de tens?o. "Que tipo de jogo você está jogando?"

  O Rei pareceu genuinamente magoado. "Jogo? N?o há jogo algum. Apenas dois velhos conhecidos compartilhando uma refei??o." Ele fez um gesto abrangente para a comida e bebida. "Por favor, sirva-se."

  "Está envenenado," disse Zack categoricamente.

  Um sorriso triste tocou os lábios do Rei. Sem dizer uma palavra, ele pegou a ta?a que havia oferecido a Zack e bebeu um longo gole. Ent?o, serviu-se generosamente da comida e comeu com evidente prazer.

  "Vê?" disse ele após engolir. "Nenhum veneno. Apenas boa comida e bom vinho."

  Zack continuou imóvel, sua desconfian?a apenas aumentando com esta demonstra??o. Finalmente, incapaz de suportar mais esta farsa, ele fez um movimento em dire??o à Lua Negra.

  "Ah," suspirou o Rei, colocando seu garfo delicadamente sobre o prato. "Precisa tudo ser resolvido com violência?" Seus olhos violetas encontraram os de Zack, carregados de algo que parecia quase... tristeza. "Eu só queria um dia de paz."

  A m?o de Zack parou a meio caminho da espada. "Paz?" repetiu ele, incrédulo. "Depois do que você fez no Bairro Baixo? Depois de Milos e seu ritual? Depois de todas aquelas mortes?"

  "As coisas s?o mais complicadas do que parecem," respondeu o Rei, tomando outro gole de vinho. "Sempre foram."

  "Ent?o explique," exigiu Zack, sua voz carregada de raiva contida. "Explique por que estou aqui sendo tratado como um convidado de honra em vez de um inimigo. Explique todo este... teatro."

  O Rei observou Zack por um longo momento, seus olhos violetas insondáveis. Ao redor deles, o ambiente do sal?o parecia mudar sutilmente – as sombras se alongavam como dedos tentando alcan?á-los, a luz dos lustres oscilava como se soprada por um vento inexistente, e ocasionalmente sons estranhos ecoavam pelos corredores distantes – sussurros, risos abafados, o que poderia ser um grito muito distante.

  "Você realmente n?o se lembra, n?o é?" perguntou o Rei finalmente, sua voz mais suave. "De nada?"

  Antes que Zack pudesse responder, uma pergunta diferente formou-se em seus lábios, uma que vinha incomodando-o desde que entrara no bairro nobre.

  "Por que está t?o silencioso lá fora? Onde est?o todas as pessoas?"

  O Rei parou de servir vinho, ficando completamente imóvel. O silêncio se estendeu entre eles, pesado e opressivo como uma mortalha. Quando finalmente falou, sua voz era calma, quase casual.

  "Eu os matei. Todos eles."

  Zack sentiu o sangue gelar em suas veias. "O quê?"

  "Os nobres, os servos, os guardas," continuou o Rei, como se estivesse discutindo o clima. "Todos os habitantes do bairro nobre. N?o foi violento, se isso o conforta. Foi um ritual simples. Eles simplesmente... deixaram de existir."

  "Por quê?" A pergunta explodiu de Zack, carregada de fúria e horror. "Por que você faria isso com seu próprio povo?"

  O Rei Violeta olhou para Zack com uma express?o enigmática – um sorriso triste que n?o alcan?ava seus olhos brilhantes.

  "Era apenas a vez de outro reino cair," respondeu ele simplesmente.

  Foi como se aquelas palavras fossem uma chave girando em uma fechadura esquecida dentro da mente de Zack. Uma dor aguda atravessou sua cabe?a, fazendo-o cambalear. O zumbido familiar retornou, crescendo rapidamente até se tornar ensurdecedor. A Lua Negra vibrou violentamente em sua bainha, como se estivesse ansiosa para ser libertada.

  O Rei observou a rea??o de Zack com interesse clínico. Ent?o, lentamente, sua postura mudou. Ele se endireitou, crescendo alguns centímetros, seus ombros se alargando sutilmente. Seus olhos violetas come?aram a brilhar com uma luz própria, sobrenatural, como faróis na escurid?o.

  Quando falou novamente, sua voz tinha uma qualidade diferente – mais profunda, mais ressonante, como se várias vozes estivessem falando em uníssono.

  "Eu sou o apóstolo, louco, faminto!"

  A dor na cabe?a de Zack intensificou-se, quase derrubando-o de joelhos. Vis?es fragmentadas explodiram em sua mente – o País do Poliedro em chamas, prédios desmoronando, pessoas correndo e gritando nas ruas.

  "Eu sou a luz, escurid?o ou solu??o!"

  Mais fragmentos – a mulher de olhos dourados gritando seu nome, lágrimas escorrendo por seu rosto perfeito, estendendo a m?o para ele através de um abismo crescente.

  "Eu sou a liberdade, o prego no caix?o!"

  Nanashi, seu rosto contorcido em agonia, caindo em um po?o de escurid?o absoluta, suas tatuagens brilhando como fogo antes de serem engolidas pela escurid?o.

  "Mas n?o sou o Vazio..."

  A dor atingiu um pico insuportável. Zack sentiu sua consciência escorregando, como se algo mais estivesse assumindo o controle de seu corpo. Ele lutou desesperadamente para manter o controle, mas era como tentar segurar água com as m?os – quanto mais apertava, mais escapava por entre seus dedos.

  Por um instante, tudo ficou negro.

  Quando sua consciência retornou parcialmente, Zack se viu em pé, a Lua Negra desembainhada em sua m?o. A lamina negra atravessava o peito do Rei Violeta, perfurando-o completamente e cravando-se no trono de coroas derretidas atrás dele.

  Horror e confus?o inundaram Zack. Ele n?o se lembrava de ter se movido, de ter desembainhado a espada, de ter atacado. Era como se seu corpo tivesse agido por conta própria, controlado por alguma for?a externa.

  "N?O!" gritou ele, sua voz quebrando. "O que eu... por que eu..."

  O Rei Violeta, em vez de mostrar dor ou raiva, parecia quase aliviado. Sangue escorria do canto de sua boca, mas seus lábios estavam curvados em um sorriso suave. Com movimentos gentis, ele ergueu uma m?o trêmula e acariciou o rosto de Zack com ternura surpreendente.

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  "Está tudo bem," sussurrou ele, sua voz fraca mas clara.

  Lágrimas escorriam dos olhos violetas do Rei, que lentamente come?avam a perder seu brilho sobrenatural. Sua express?o era de profunda tristeza, mas também de uma estranha paz, como alguém que finalmente encontra descanso após uma longa jornada.

  "Meu amigo," disse ele, cada palavra claramente um esfor?o, "o Skull está vindo. O Vazio... ele chegou." Seus dedos tra?aram o contorno do rosto de Zack com carinho. "Meu amigo, sorria, pois a gente se viu."

  Zack sentiu uma dor aguda no peito que nada tinha a ver com ferimentos físicos, e uma tristeza esmagadora que n?o conseguia explicar. Algo profundo e antigo dentro dele reconhecia o Rei como alguém importante, alguém querido, apesar de sua mente consciente n?o compreender totalmente.

  A Lua Negra continuava tremendo violentamente, mesmo cravada no corpo do Rei, como se estivesse faminta por mais, insatisfeita com apenas uma vida.

  Os olhos do Rei come?aram a perder foco, a luz neles diminuindo como uma vela prestes a se apagar. Seus lábios se moveram uma última vez, formando palavras que Zack n?o conseguiu ouvir. Ent?o, com um suspiro suave, o Rei Violeta ficou imóvel.

  Zack permaneceu paralisado, a m?o ainda no cabo da Lua Negra, incapaz de processar completamente o que havia acontecido. O sal?o do trono, o castelo, o corpo do Rei – tudo come?ou a se dissolver como tinta em água. Zack sentiu seu próprio corpo ficando pesado, sua consciência flutuando para longe, como se estivesse sendo puxado por uma corrente invisível.

  ---

  água. Fria, viscosa, envolvendo-o completamente.

  Zack "acordou" flutuando em um lago de águas negras como petróleo. Acima dele, um céu noturno estranho se estendia infinitamente, onde as constela??es brilhavam em vermelho em vez de branco, formando padr?es que nenhum astr?nomo jamais havia catalogado.

  O ar estava carregado com um cheiro forte e nauseante de carne queimada. Ao redor do lago, Zack podia vagamente distinguir os contornos de árvores gigantescas, forma??es rochosas estranhas, e ao longe, luzes que poderiam ser de uma cidade – ou de algo que se passava por uma.

  Tentou mover os bra?os para nadar, mas descobriu que n?o conseguia. Seu corpo estava completamente paralisado, como se seus músculos tivessem esquecido como responder aos comandos de seu cérebro. Lentamente, inexoravelmente, come?ou a afundar nas águas negras.

  Pensamentos frenéticos passavam por sua mente enquanto afundava – confus?o sobre onde estava, o que havia acontecido com o Rei, se isso era morte ou apenas outro pesadelo. A água negra entrou em sua boca, em seus pulm?es, e ele n?o conseguia nem mesmo tossir para expulsá-la.

  Foi ent?o que ouviu – o som de alguém nadando vigorosamente, batendo na água com for?a, aproximando-se rapidamente de onde ele afundava. M?os jovens e fortes o agarraram, puxando-o para a superfície quando ele estava prestes a perder a consciência.

  "Mestre! Mestre!" gritava uma voz familiar, mas estranhamente mais aguda do que se lembrava.

  Zack foi arrastado para a margem, tossindo e expelindo a água negra de seus pulm?es. Quando finalmente conseguiu focar sua vis?o, deparou-se com um rosto que conhecia intimamente, mas que estava... errado.

  Era Orpheus. Mas n?o o Orpheus que conhecia – este era muito mais jovem, quase um menino, com n?o mais de 15 anos. Seu rosto ainda n?o tinha as cicatrizes e linhas de preocupa??o que Zack conhecia t?o bem. Seus olhos ainda brilhavam com uma inocência que há muito havia sido perdida.

  "Mestre!! Eu estou aqui!" exclamou o jovem Orpheus, sua voz carregada de preocupa??o e devo??o.

  Zack ficou completamente imóvel, seus olhos arregalados em choque absoluto. Em seu pensamento, apenas três palavras ecoavam como um mantra desesperado: "Meu Deus!!!"

  O jovem Orpheus rapidamente tirou uma toalha de sua bolsa e come?ou a secar Zack, falando rapidamente sobre como estava preocupado quando o viu no lago.

  "O senhor simplesmente desapareceu do acampamento," dizia ele, esfregando vigorosamente os bra?os de Zack com a toalha. "Procurei por toda parte! O que o senhor estava fazendo no Lago das Sombras? Todo mundo sabe que é perigoso nadar aqui, as águas têm propriedades estranhas."

  Zack permaneceu em silêncio absoluto, ainda tentando processar onde estava e o que estava acontecendo. Seu olhar varreu o ambiente, absorvendo detalhes que confirmavam seus temores.

  árvores colossais de 50 metros se erguiam ao redor deles, suas raízes vermelhas expostas serpenteando pelo solo como veias gigantes. A folhagem densa em tons de laranja e vermelho criava um dossel que bloqueava parcialmente o céu estranho. A terra sob seus pés era preta e fértil, quase gordurosa ao toque. Pedras grandes e negras estavam espalhadas pela paisagem, algumas com inscri??es antigas em línguas que poucos mortais poderiam ler.

  E ao fundo, além da floresta alienígena, os contornos de uma cidade gigantesca podiam ser vistos, suas luzes brilhando como estrelas caídas. Uma energia densa e palpável permeava tudo, alterando o próprio ambiente – o clima, o solo, até mesmo os poucos animais estranhos que se moviam nas sombras.

  N?o havia dúvida. Ele estava no Continente Vermelho – o lugar mais perigoso e temido de todo o mundo.

  Percebendo o estado mental perturbado de Zack, Orpheus tentou aliviar o clima, mudando de assunto para algo que claramente o empolgava.

  "Mestre, pratiquei aquela técnica que me ensinou," disse ele, seus olhos brilhando de entusiasmo. "A do deslocamento rápido com rota??o dupla. Consegui executá-la perfeitamente ontem! Lembra que prometeu que quando eu dominasse essa técnica e completasse 15 anos, poderia participar da minha primeira ca?ada?" Seu sorriso se alargou, revelando dentes perfeitamente alinhados que ainda n?o haviam sido quebrados e remendados inúmeras vezes. "E hoje é o dia, Mestre! Finalmente tenho 15 anos!"

  Zack olhou para o jovem à sua frente, tentando conciliar esta vers?o de Orpheus com o homem sombrio e atormentado que conhecia. Este menino ainda n?o havia passado pelos horrores que moldariam seu caráter, ainda n?o carregava o peso das inúmeras vidas que tiraria, ainda n?o conhecia a verdadeira natureza do mundo e do Vazio.

  Lentamente, Zack come?ou a entender onde estava – n?o em um sonho ou alucina??o, mas de alguma forma transportado n?o apenas no espa?o, mas no tempo. Para um período em que Orpheus ainda era seu aprendiz, antes dos eventos que os separaram, antes de... tudo.

  Um conflito interno se formou em Zack – ele deveria revelar a Orpheus quem realmente era e o que sabia do futuro? Ou deveria fingir ser o Zack deste tempo, para n?o perturbar eventos que já haviam ocorrido? E mais importante: o que sua presen?a aqui significava? Era uma chance de mudar o passado, ou apenas outra camada de tortura elaborada pelo Vazio?

  Antes que pudesse decidir completamente, Orpheus estendeu a m?o, oferecendo ajuda para Zack se levantar.

  "Vamos, Mestre," disse ele, seu rosto jovem iluminado por expectativa. "A ca?ada nos espera, e você prometeu que seria especial."

  Zack aceitou a m?o estendida, levantando-se com um esfor?o que parecia tanto físico quanto mental. Ao fazê-lo, notou algo perturbador – sua m?o foi automaticamente à cintura, onde a Lua Negra deveria estar. Mas em seu lugar, havia apenas um espa?o vazio. A espada havia desaparecido.

  Seus olhos se ergueram para o horizonte, onde as luzes da cidade distante piscavam como olhos vigilantes. Uma pergunta sombria formou-se em sua mente, mais perturbadora que todas as outras:

  O que exatamente eles estavam prestes a "ca?ar" no Continente Vermelho?

  Tabelas Oficiais do Mundo

  Tabela 1 — Criaturas do Void

  Tabela 2 — Continente Vermelho

  Tabela 3 — Ca?adores

  Tabela 4 — Sistema de Ranks do Mundo

  Tabela 5 — Energia Espiritual e Habilidades

  Tabela 6 — Ca?adores Irregulares

  Regra Fundamental do Mundo

  Aura n?o define poder.

  For?a física n?o garante sobrevivência.

  Habilidade é o que separa os fortes dos mortos.

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